Espero que esta reflexão desperte o vosso interesse e convido-vos, desde já, a deixarem os vossos comentários ou apresentarem sugestões que possam melhorar este trabalho.
2011/03/17
Utilização das redes sociais no ensino
Espero que esta reflexão desperte o vosso interesse e convido-vos, desde já, a deixarem os vossos comentários ou apresentarem sugestões que possam melhorar este trabalho.
2011/02/27
Recursos educativos reunidos no Delicious
Os resultados das pesquisas estão a ser reunidos pela turma na ferramenta Del.icio.us, onde podem encontrar a seguite tag [http://www.delicious.com/MICO09/marcofreitas] relativa à minha própria participação.
São várias as estratégias adoptadas pela nossa comunidade: pesquisa e selecção de recursos; partilha de informação; no espaço próprio disponibilizado pela Delicious, cada aluno escreve uma síntese da temática abordada no recurso seleccionado; organização por temas dos recursos seleccionados; discussão no fórum online da turma sobre a qualidade e relevância dos recursos.
Software para análise qualitativa de dados
As apresentações abaixo demonstram alguns softwares que podem ser utilizados no tratamento e análise qualitativa de dados recolhidos numa investigação.
2011/02/24
Redes sociais e educação
Com o advento da Internet, as relações entre os internautas tornaram-se mais interactivas e sociais. Em consequência, o ciberespaço tem alojado redes sociais que atraem a atenção de milhões de internautas, sobretudo os mais jovens.
Relembro os sites mais conhecidos, embora diferentes entre si (música, comunicação, vídeos, fotos, materiais, conteúdos): MySpace, Facebook, Twitter, Orkut, Yahoo Groups, Ning, Flickr (ver aqui uma lista mais completa).
A fim de compreendermos como estas redes sociais são utilizadas em contexto educativo, penso que devemos, antes de mais nada, conhecê-las com alguma profundidade.
Como ponto de partida para esta reflexão, coloco as seguintes questões:
a) Uma rede social é um espaço de interacção formal ou informal? Será de comunicação entre pares?
b)Os contactos de internautas formam a minha comunidade ou uma rede é formada por várias comunidades?
c) Esse espaço online será ainda um local de produção e partilha de conteúdos? O meu papel é dinamizá-lo ou controlá-lo?
Aproveito para partilhar alguns recursos que podem ser úteis nesse sentido:
- Resultados duma investigação: "A survey of K-12 Educators on Social Networking and Content Sharing Tools". Link: http://www.edweek.org/media/k-12socialnetworking.pdf
- Apresentação dos aspectos de rede social da aplicação Flickr: "The Promise of Social Networks". Link: http://www.debaird.net/articles/FlickrEdu.pdf
- Apresentação em slides de Stephen Downes (2005) em que aborda o lado instrucional das redes sociais: "Learning Networks: Theory and Practice". Link: http://www.slideshare.net/Downes/learning-networkstheory-and-practice
_____________________
OBS: Fonte da imagem: http://www.focus.com/fyi/it-security/security-risks-social-networks/
Análise de entrevista
O trabalho foi realizado por várias fases, iniciando-se com a discussão pelos elementos do grupo no fórum online da unidade curricular e terminando com a elaboração do relatório de análise. Como se pode verificar no dossier abaixo, uma das estratégias de trabalho foi a criação duma grelha ou matriz que se revelou muito útil na identificação das categorias e unidades de registo e de contexto relativas à transcrição da entrevista.
Posteriormente, foi criado um fórum geral em que toda a turma desenvolveu um debate interessante sobre os trabalhos feitos pelos varios grupos. Graças à partilha de conhecimentos e troca de impressões e experiências, incluindo as intervenções e esclarecimentos prestados pela professora, chegámos a conclusões que não tinham sido conseguidas ao longo da actividade anterior. Algumas ideias foram, por isso, reformuladas e o entendimento sobre os novos conhecimentos aperfeiçoado.
Percebi que o processo de análise de dados é complexo e que exige capacidades de investigador bem desenvolvidas.
Problemáticas da investigação na e com a Internet
A minha opção foi seleccionar um artigo cuja investigação utilizou a Internet como recurso para a recolha de dados, nomeadamente um survey online.
O objecto desta análise é o artigo de investigação “Coordenadores de Comunidades de Repositórios Institucionais: o caso do RepositóriUM”, de Flávia Garcia Rosa (Universidade Federal da Bahia) e Maria João Gomes (Universidade do Minho), publicado na Revista Electrónica de Biblioteconomia e Ciência da Informação [disponível em http://hdl.handle.net/1822/11242], tendo sido aceite para publicação em 29/09/2010.
Na minha opinião, o instrumento de pesquisa utilizado foi eficaz na recolha de dados, tendo em conta os objectivos do estudo, e os resultados obtidos ajudaram a perceber melhor as questões que interessaram às investigadoras. As conclusões não só revelaram que se trata de uma realidade que tem de ser estudada com mais profundidade, como também apresentam outras questões que justificam novas investigações.
2011/02/13
Minhas participações no fórum online de CAEL
Através destes conteúdos, pretendi completar o meu e-portefólio com as reflexões críticas e pessoais que desenvolvi relativamente às actividades em que participei. O objectivo não foi expor com pormenor como foram desenvolvidas as discussões da turma nos fóruns online do curso e sim reunir num só documento as minhas respostas às questões que orientaram essas discussões. As sínteses relativas às discussões da turma estão reunidas nos seguintes posts: post 1 e post 2.
No sentido de ser feito um acompanhamento mais consistente, sugiro que o visitante articule estes conteúdos com os restantes materiais disponibilizados neste blogue, os quais estão relacionados com as asctividades da unidade curricular atrás referida.
2010/11/30
Prática do Elearning 2.0
Como em qualquer modalidade de ensino, os materiais e recursos educativos são importantes para a qualidade e sucesso do curso online. Estes intrumentos acabam por ter um papel para mobilizar os intervenientes (alunos e professores) nas actividades lectivas de todas as unidades curriculares, em harmonia com os processos comunicativos possíveis e a produção da informação e conhecimento. Este trabalho aborda esses aspectos numa perspectiva da evolução do e-Learning.
Abaixo está disponível o slideshare:
2010/07/14
A Internet e os estudantes
Convido-vos a deixarem os vossos comentários ou sugestões.
Podem ler a versão integral abaixo (alojada também no Scribd):
Utilização dos "browsers" e das bibliotecas digitais na pesquisa científica dos alunos
2010/06/20
Cyberbullying
A temática está relacionada com a Segurança na Internet e os jovens, e concentrámos a nossa atenção no "cyberbullying".
Espero que este recurso desperte a atenção dos jovens alunos, professores e pais, a quem convido, desde já, a comentar e a propôr sugestões que possam melhorar ou completar a animação seguinte:
GoAnimate.com: Cyberbullying by Telma e Marco
Like it? Create your own at GoAnimate.com. It's free and fun!
2010/06/04
Recensão crítica de vídeos de Michael Wesch
Escrevi o texto que se segue e aguardo as vossas sugestões e comentários:
O trabalho de investigação de Michael Wesch demonstra muito bem como o movimento em rede, proporcionado com o advento da Internet, está a mudar o ensino-aprendizagem dos nossos dias. O próprio Wesch é um agente pioneiro dessa mudança, enquanto educador, ao considerar ser mais importante ajudar os estudantes a colocar questões do que querer continuar o papel convencional do professor: aquele que não põe os estudantes à procura das perguntas...
Quando acontecerá nos estabelecimentos de ensino espalhados por todo o planeta aquilo que se observa na Universidade do Estado de Kansas (vídeo “Students Helping Students”)? O que terá motivado àqueles estudantes para terem vontade em ajudar os colegas? Este comportamento parece ser uma novidade para nós, mas não é tanto assim para os estudantes que frequentam aquela universidade. E o que é novo? Por exemplo, vemos um estudante gritar por ajuda e, rapidamente, aparece uma pequena multidão para ajudar uma condutora a estacionar o seu carro. Tão depressa se formou o grupo, como se desfez depois. E a condutora não mostrou nenhuma surpresa perante este “fenómeno”.
Naquela comunidade, esta atitude parece normal. Mas estes estudantes tê-la-ão apre(e)ndido da parte dos seus professores? Parece que nesta universidade a construção do conhecimento é, fundamentalmente, feita pela comunidade estudantil. A visão dos estudantes afinal está a mudar, questão essa que é tratada noutro vídeo (“A Vision of Students Today”). O que se mantém dos tempos idos nesta universidade são as salas de aula, onde estão dispostas filas de cadeiras viradas para um palco onde se coloca o professor como figura central (e única). Os pensamentos e preocupações dos alunos não são escritos no quadro e sim nas costas das cadeiras e na parede ao fundo da sala. Isso significa que não há diálogo entre os estudantes e o professor?
O que interessa a Wesch são, afinal, essas reflexões dos estudantes: “What are they learning seating here?”. Por isso, temos aqui um pioneiro que promove a mudança de um paradigma educativo. Este educador não pretende ser a autoridade que entra na sala para transmitir informação de qualidade e sim ser aquele que precisa de conhecer as preocupações e pensamentos dos seus alunos para preparar as aulas. Entende assim que a construção dos novos conhecimentos tem de ser feita com os alunos, por mais numerosa que seja a turma.
Este vídeo traz-nos, de forma transparente e pública, o feedback dos alunos. Uma aluna afirma que vai ler 8 livros, 2300 páginas online e 1281 perfis no Facebook este ano - e pensamos que importância terão esses livros e informação na sua aprendizagem universitária. Outra aluna esclarece que completou 49% das leituras definidas para si. Outra aluna ainda confessa que só 26% do que lê e estuda será relevante para a sua vida. Mas muitos outros decidem falar de situações pessoais que acontecem fora da sala de aula. Esperemos que Wesch não tenha grande dificuldade em planificar as aulas para estes estudantes, depois de conhecer estas reacções…
Porém, é isso que acaba por fazer na sua prática lectiva, sendo um educador com preocupações sociais para a educação, como se pode verificar no vídeo “The Machine is (Changing) Us: Youtube and the Plitics of Authenticity”. Uma das ideias que desenvolve relaciona-se com a informação criada em rede ("networked information environment") enquanto modalidade inovadora de construção dos conhecimentos. Na sua opinião, as novas tecnologias e os vários serviços online estão a permitir que as pessoas se juntem para construírem estes saberes de qualidade que podem rivalizar com os conteúdos elaborados pelos especialistas, a quem é reconhecida autoridade científica. O mundo em conjunto discute essa informação, participa em rede. É um bom exemplo para mostrar como a educação precisa de ter uma função social.
Wesch propõe, aliás, que essas novas tecnologias sejam trazidas para a sala de aula. Certamente que não está a falar em partilhar fotos ou enviar mensagens através do Facebook , MySpace ou Twitter. Essa ideia tem de desaparecer da mente dos professores que vêem apenas esses aspectos e não outras funcionalidades educativas das ferramentas e serviços Web2.0. Relembrando a teoria de Postman (“Media ecology”), entenda-se que “media are not just tools”, “media are not just means of communication”, porque “media mediate our conversations” e, por isso, os novos pensamentos mediados pelas novas tecnologias estão na raiz da mudança da nossa cultura. É incontornável a educação relacionar-se com esta cultura.
É importante perceber ainda que, sendo utilizadores das novas tecnologias, os estudantes procuram dar novos significados à informação que encontram e constroem no cibermundo. Portanto, este mundo virtual é também o seu espaço de aprendizagem. Segundo Wesch, os estabelecimentos de ensino têm não só de acolher esses novos significados, como também lhes dar a relevância que só a educação sabe fazer.
Por fim, reconhecer o papel central que os estudantes têm na formação dos novos saberes, enquanto agentes da sociedade em rede, será uma forma de integrar as consequências do impacto da Internet na educação. Só assim se pode recuperar a “antiga dimensão comunitária da aprendizagem”.
2010/05/27
MyMPEL 2010 - um contributo
Este evento foi uma oportunidade formidável para os estudantes deste mestrado partilharem as suas experiências e perspectivas sobre as teorias estudadas e trabalhos desenvolvidos no âmbito das várias unidades curriculares. Os vários paineis apresentados (ver aqui) por professores, estudantes e investigadores de outras instituições de ensino superior desempenharam muito bem o seu papel neste evento: fazer a apresentação do currículo do mestrado e, sobretudo, da opinião dos seus intervenientes.
Agora, dêem uma espreitadela no recurso que se segue:
2010/05/12
A questão da autenticidade e transparência na rede
Foi interessante reflectir um pouco sobre a nossa identidade, para tentar perceber se, com o advento da Internet, passámos a ter mais de uma identidade ou o seu prolongamento.
Nem sempre queremos mostrar quem autenticamente somos, por isso pode ser fácil transpor para o ambiente virtual a “falsidade” do Eu. Por exemplo, os dados pessoais e profissionais estão omissos ou, quando visíveis, são alterados. Talvez isso seja feito para esconder, proteger ou salvaguardar a nossa intimidade. Há quem prefira também manter-se anónimo em fóruns de discussão online ou em ambientes virtuais (ex.: Second Life), onde se cria um avatar que pode não ser o representante fiel. Parece que a vontade aqui é impedir que o Outro nos veja a nós tal como somos... Portanto, não se consegue fundamentar que há transparência total no ciberespaço.
É curioso observar que, mesmo em ambiente virtual, o indivíduo continua a precisar de relacionar-se com pessoas, partilhar experiências e conhecimentos com os outros. A nova tendência é reunirem-se em grupos sociais online a fim de partilharem interesses comuns. Lembrando-nos de Castells, graças à Internet e às TIC, vivemos actualmente uma era da informação e do conhecimento. A sociedade caracteriza-se por uma nova forma de comunicação que valoriza a informação, alterando desse modo a estrutura vigente. A informação flui a velocidades e em quantidades antes inimagináveis.
CONCLUSÃO:
Talvez este novo ambiente tenha fomentado junto desses utilizadores da Internet uma vontade de criar uma nova identidade – adequar a sua personalidade a um mundo desconhecido mas muito exigente a vários níveis - para marcar um lugar e fazer-se, assim, reconhecer como diferente entre tantos outros. Será que a necessidade de criar identidades diferentes (digitais) ameaça a estabilidade da sociedade “tradicional”? A verdade é que as referências se alteraram para se sobreviver nesta nova era tecnológica.
Outra temática pertinente abordada foi a fraude intelectual. Talvez seja precipitado concluir que este tipo de fraude possa aumentar com o advento da Internet. Como afirma a colega Cecília, a fraude intelectual sempre existiu e, embora através da Internet seja fácil praticar a fraude intelectual, também esta tecnologia permite identificar rapidamente onde há essa mesma fraude.
O plágio mereceu uma atenção especial no debate, porque a propriedade intelectual parece nem sempre ser respeitada na Internet. Este comportamento deve ser alterado pois todos os conteúdos disponíveis online estão “licenciados”, isto é, estão protegidos pelos direitos de autor, mesmo que a licença não esteja visível.
CONCLUSÃO
Se calhar a Internet veio contrariar a prática, consciente ou não, do plágio. Sabendo os estudantes ou outros indivíduos, a título pessoal ou profissional - será que os jornalistas dão sempre crédito ao autor? –, que há um enorme risco de serem descobertos e, consequentemente, penalizados pelo professor ou avaliador, a fraude intelectual pode é estar a diminuir, graças à Internet…
Chegados a este ponto, podemos então perguntar-nos se a rede é segura e como é garantida ou não a qualidade da informação partilhada.
Sendo a Internet a grande Rede, à qual confluem outras redes mais pequenas, mas não menos complexas, percebemos que este conceito de rede mudou definitivamente a gestão da informação. A possibilidade de poder aceder a uma outra máquina aumenta as vantagens daquela em que nos encontramos. Mas essa conectividade traz riscos.
Embora a maior parte dos utilizadores não consiga, por si mesmos, garantir a segurança sobre as suas participações na Internet, muitos serviços online já oferecem, de forma satisfatória, essa possibilidade. No entanto, a preocupação pela segurança mantém-se. Como lembra a colega Lauriza, os ataques efectuados têm aumentado de tal maneira que “colocam em xeque as nossas crenças. Lançam por terra nossas elaborações sobre segurança.”
Aliás, desde o início que esta questão da segurança na Internet tem sido um foco de discussão.
CONCLUSÃO
Portanto, nenhum utilizador deve ignorar as formas como pode proteger-se contra os ataques que podem por em risco aquilo que constrói (um exemplo: fraude intelectual) e partilha nesse ambiente virtual. A única forma de combater esse mal é continuarmos a passar a mensagem que a segurança na Internet se faz tomando regularmente as devidas precauções (exemplo: tornar visíveis as licenças dos conteúdos disponibilizados no ciberespaço).
Quanto à credibilidade da informação que é partilhada na Internet, fez sentido relacionarmos esta questão com a fraude intelectual. Ora, nem sempre é possível saber que a informação que recolhemos foi exclusivamente criada pelo autor identificado.
Como sabemos, uma das formas de avaliar a qualidade da informação é saber quem a elaborou. Tendo isto em conta, uma das saídas é seleccionar os conteúdos disponíveis na Internet, através deste critério.
CONCLUSÃO
É difícil garantir que toda a informação que circula nesse mundo virtual tenha a mesma qualidade e, por isso, seja sempre credível. Talvez seja por isso que, cada vez mais, os profissionais se juntem em comunidades sociais para concentrar nessas redes a informação de que precisam e partilham. Os motores de pesquisa, como o Google, estão assim a perder terreno, porque os critérios que são utilizados para os resultados da pesquisa que apresentam deixaram de ser aceites por utilizadores mais "informados".
Por fim, haverá alguma entidade que controla esta rede tão complexa?
A Internet é um difusor por excelência de informação, no sentido de ter um elevado potencial – é tecnologicamente aberta - nessa disseminação junto de grupos de todas as gerações (“sociedade interactiva”), criando mesmo novos comportamentos, como é o caso da comunicação mediada por computador (CMC). Aliás, esta comunicação acaba por ser o medium para a interacção pessoal e a expressão de pensamentos e preocupações, tornando-se numa nova forma de organização em rede. “O modelo de comunicação electrónica”, afirma Castells, “de muitos-para-muitos, representado pela CMC, tem sido usado de diferentes formas e com diferentes propósitos, tantos quantos o alcance da variação social e contextual dos seus utilizadores” (Castells, pág. 476).
O colega António apresentou uma lista de sites de entidades que já controlam ou procuram exercer esse controlo sobre o acesso a alguns serviços da Internet ou proibir que o utilizador se conecte, como sanção a determinados comportamentos não aceites, por exemplo, por um governo.
Será que as novas formas de regulamentação dos governos pretendem assegurar o direito dos cidadãos terem acesso a uma informação confiável, a notícias autênticas, seguras e verificáveis? Talvez seja apenas mais uma forma de repressão... O que não significa, porém, que seja possível a uma só entidade dominar a expansão dos meios de comunicação de massas ou a grande quantidade de dados que circulam actualmente pela Internet.
Se isso um dia acontecer, espero que tenha como missão prioritária garantir os mínimos de qualidade da informação e não estabelecer limites (censura?) ao seu acesso. Lembremo-nos que o objectivo inicial foi criar um ciberespaço aberto e livre.
CONCLUSÃO
Na minha opinião, ninguém consegue controlar aquilo que está disponível na Internet. Falando da organização dos Estados Unidos, ICANN, o que esta entidade controla é a distribuição de endereços e nomes. A ICANN garante que cada computador ligado à rede seja identificado por um único número e um único nome.
No entanto, parece haver grande interesse dos países em controlar alguns aspectos da dinâmica desse mundo virtual. Não só foi criado o domínio de cada país - em Portugal é .pt -, como já censuram a utilização de certos conteúdos e serviços.
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REFERÊNCIAS
Castells, M. (2003) A Sociedade em Rede. A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura, Vol. 1, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian.
2010/04/26
"Open Educational Resources: Unlocking Knowledge to the Global Community"
Este vídeo foi preparado pela Northern California Grantmakers
& The William and Flora Hewlett Foundation e mostra muito bem o que são Recursos Educativos Abertos (REA).
Sobre a revolução tecnológica e o ensino online
Esta estratégia foi útil e eficaz para a interpretação do pensamento dos referidos autores. Relativamente a Baudrillard, destacaria o conceito de “simulacro”, em que é estabelecido um confronto entre o virtual (mundo artificial criado pelas novas tecnologias da comunicação e os media) e o real. A expansão do virtual acontece em prejuízo do real, que se esvazia. Sabemos que a comunicação foi um elemento decisivo para o desenvolvimento da sociedade moderna (e, claro, da contemporânea), mas é interessante observar que a informação é criadora dessa comunicação, é produtora de sentido.
No entanto, Baudrillard vem dizer que a informação vem dissolver esse sentido, não havendo um aumento de inovação mas sim de entropia social total. O reflexo da sua crítica em relação à era actual (Internet) é perceber que o virtual, devido ao aperfeiçoamento tecnológico, potenciou a natureza artificial, simulacional (parece real mas não é), hiper-real (mais “real” do que o real) do processo comunicacional (“esvaziamento” da interactividade).
Virílio também questiona os fenómenos da realidade quotidiana, como uma transcendência da presença imediata. A percepção do “aqui e agora” alteraram-se e experimenta-se a vida de todos os dias (as relações e comunicação) em graus diferentes de aproximação e distância, espacial (que vai além da significação de território) e temporalmente. Graças às novas tecnologias de comunicação, a experiência da realidade é compartilhada, estamos em relação ao outro da mesma maneira que ele está em relação a nós. Partilhamos, juntos, de uma mesma experiência espaço-temporal, só que a perspectiva tradicional sobre estes conceitos mudou. Como afirma Castells, é “a transformação da nossa cultura material pelos mecanismos de um novo paradigma tecnológico que se organiza em torno da tecnologia da informação”. (Castells, 1999)
Neste novo paradigma, a informação passa a ser matéria-prima fundamental e as relações deixam de ser territorializadas para serem mais fragmentadas. Historicamente, os nossos comportamentos relacionavam-se com os processos de urbanização da cidade, necessitavam de um lugar fixo e de continuidade para o seu desempenho. Hoje, a informação, sendo uma matéria-prima muito mais flexível e expressando-se nas mais diversas materialidades, necessita muito pouco de um lugar preciso.
Transferindo esta nova prerrogativa para a lógica de redes, podemos identificar uma clara tendência à valorização do espaço das redes em detrimento do espaço territorial característico da sociedade urbanizada (ver o pensamento de Castells desenvolvido em A Sociedade em Rede. A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura).
Quanto à relação entre o indivíduo e o mundo envolvente (realidade), mediada pelas tecnologias da comunicação (ex.: Internet e email), Virilio apresenta o conceito de "inércia". Já não é importante perceber o que é o "hiper-real" (Baudrillard) e sim identificar os efeitos provocados pela técnica, a maneira como veio dominar o nosso dia-a-dia, os nossos comportamentos e relações nos países em que a comunicação ocorre tecnologicamente (interactividade).
Muitos de nós, interagimos num “cibermundo” (conceito de Virilio) em que o tempo real (o nosso quotidiano) deixou de estar na base da História e a omnipresença da informação (“the information bomb”) tem um ritmo maior (velocidade) proporcionado pelas auto-estradas virtuais (Internet) e pelo desenvolvimento das TIC. E parece que isso nos leva à “inércia”...
Portanto, o espaço das redes permite, com mais velocidade, o desenvolvimento das relações entre as pessoas, tribos e países (que utilizam as novas tecnologias de comunicação). Há uma nova realidade da cultura do digital.
2010/04/23
Recursos Educativos Abertos

A Internet tem proporcionado que, através do movimento Open Educational Resources (OER) ou Recursos Educativos Abertos (REA), sejam disponibilizados recursos em formato digital de interesse pedagógico e de investigação científica.
A estrutura e princípios deste movimento REA fomentam o cada vez mais necessário acesso aos conteúdos abertos que fomentem a auto-aprendizagem e o estudo em ambientes informais.
A UNESCO apresentou a seguinte definição em 2002: “Open educational resources (OER) are learning materials that are freely available for use, remixing and redistribution” e “technology-enabled, open provision of educational resources for consultation, use and adaptation by a community of users for non-commercial purposes”.
O professor do séc. XXI está a enfrentar novos desafios e problemas relacionados com as tecnologias de comunicação, que podem ser resolvidos mais rápido se estiver, por exemplo, inserido num comunidade guiada pelo espírito cooperativo. Talvez seja por isso que centenas de universidades e escolas em todo o mundo tenham adoptado o pensamento deste movimento e começaram a partilhar os seus conteúdos, a contribuir com os seus próprios REA, através da criação de comunidades regidas com esse objectivo comum: disponibilização de recursos e reflexão sobre esta temática.
Os REA incluem todo o tipo de recursos educativos, normalmente em formato digital como por exemplo, objectos de aprendizagem, material de leitura, simulações, experiências, demonstrações, assim como, guias de aprendizagem, estratégias de ensino, etc.
O acesso facilitado aos conteúdos e sobretudo a quem os produz reflecte a mudança do acesso ao conteúdo para o acesso a quem os produz, permitindo deste modo interacções, quase imediatas de feedback, “rating” e validação dos mesmos. Englobam-se nesta caracterização um formato de recursos online como: wikis, blogs, redes sociais, comunidades virtuais, o que facilita a pessoas com os mesmos interesses a partilharem ideias, colaborarem e inovarem na produção de OERs.
Segundo Johnstone (2005), os REA caracterizam-se em três grandes grupos:
a) Recursos de aprendizagem (courseware, módulos de aprendizagem, objectos de aprendizagem, ferramentas de avaliação, comunidades de aprendizagem online);
b) Recursos de suporte à aprendizagem (ferramentas e materiais de suporte que permitam aos professores criar, adaptar e usar os REA); e
c) Recursos que promovem a qualidade do ensino e das práticas educacionais.
Como a utilização dos recursos disponibilizados na Internet está a generalizar-se e está a aumentar a produção de recursos educativos, é necessário também conhecer as regras de utilização e os direitos de publicação dos recursos produzidos. Estes materiais de aprendizagem, para serem livres e abertos, têm de ser distribuídos mediante a licença Creative Commons.
Sugiro que visitem este website que acompanha esta temática: Associação Ensino Livre.
REFERÊNCIAS
“BCcampus OER site – Free Learning”. Disponível em http://www.edtechpost.ca/wordpress/2008/10/27/bccampus-free-learning/ , consultado em Abril de 2010.
Downes, S. (2002). Design and reusability of learning objects in an academic context: A new economy of education? USDL Journal, 17(1). Disponível em
http://www.usdla.org/html/journal/JAN03_Issue/article01.html, acedido em Abril de 2010.
Downes, S. (2007). Models for sustainable open educational resources. Interdisciplinary Journal of Knowledge & Learning Object, 3, 29-44. Dsiponível em http://ijklo.org/Volume3/IJKLOv3p029-044Downes.pdf, acedido em Abril de 2010.
“E Viva Madrid, E Viva Espanha”. Disponível em http://cibertecario02.blogspot.com/2008/06/e-viva-madrid-e-viva-espanha.html , consultado em Abril de 2010.
Johnstone, S. M. (2005). Open educational resources serve the world. Educause Review. Disponível em http://www.educause.edu/apps/eq/eqm05/eqm0533.asp, consultado em Abril de 2010.
“Scratch.mit.edu now at 400,000+ projects”. Disponível em http://creativecommons.org/weblog/entry/14416 , consultado em Abril de 2010.
Tuomi, Ilkka (2006). Open Educational Resources: What they are and why do they matter. (Report prepared for the OECD). Disponível em: http://www.meaningprocessing.com/personalPages/tuomi/articles/OpenEducationalResources_OECDreport.pdf
Wiley, David ed. (2008). OER Handbook for Educators 1.0. Disponível em: http://www.wikieducator.org/OER_Handbook/educator_version_one
2010/04/18
Baudrillard - The Murder of the Real
Estudou alemão na Sorbonne, tendo traduzido para o Francês obras de Karl Marx e Bertolt Brecht. Leccionou sociologia na Universidade de Nanterre e a sua tese "O sistema dos Objetos", foi publicada em 1968.
A obra era voltada para um estudo semiológico do consumo, assim como os seus dois livros seguintes, "A Sociedade de Consumo" (1970) e "Por uma Crítica da Política Económica do Signo" (1972). Outras obras que merecem destaque são: "À Sombra das Maiorias Silenciosas" (1978), "Simulacros e Simulações" (1981), "América" (1986), "A Troca Impossível" (1999) e "O Lúdico e o Policial" (2000).
Pensador polémico, Baudrillard desenvolveu uma série de teorias sobre os impactos da comunicação e dos media na sociedade e na cultura contemporâneas. A sua filosofia baseia-se no conceito de virtualidade do mundo aparente, refutando o pensamento científico tradicional. Criticava a sociedade de consumo e os meios de comunicação e considerava as massas como cúmplices dessa situação.
Estão disponíveis no Youtube excertos da entrevista sobre "The Murder of the Real", cuja primeira parte coloco já neste blogue.
Cybermonde, la politique du pire - Paul Virilio
O seu livro "Cybermonde" é organizado em quatro partes principais. A primeira, intitulada “Da revolução dos transportes a revolução das transmissões”, Virilio analisa o curto período que vai da revolução industrial no século XIX à era da informática. Para ele, a questão fundamental é da relação entre velocidade e poder político, em que contesta a ideia de que as tecnologias do tempo real podem contribuir para o aperfeiçoamento da democracia.
Na segunda parte, “ A parte do mundo ou como recuperar o próprio corpo”, Virilio interroga-se sobre a cidade, os dispositivos que recriam o nosso mundo habitado e o nosso próprio corpo, exactamente no limite entre o espaço público e o privado.
A terceira parte, intitulada “Quaisquer boas razões para entrar na resistência”, Virilio debruça-se sobre o que chama de acidente geral, o milagre da inversão e a reversibilidade dos objectos.
A última parte, intitulada “Da guerra provável a paisagem reconquistada”, Virilio explora o campo da guerra em tempo real no espaço dos satélites. Através da pergunta, “o que houve com a guerra?”, coloca-nos a questão de que se o desastre real não está diante de nós, é tempo de reconquistar o planeta e de inventar uma nova paisagem.
A obra referida pode ser acedida através deste link. Boa leitura!
2010/04/12
Noção de cibercultura de Pierre Lévy
As perguntas colocadas pelo Prof. António Teixeira, docente da u.c. acima referida (vide página principal do curso na Moodle), focam os pontos de tensão existentes entre o contexto contemporâneo – “mutação contemporânea da relação com o saber” (Lévy, pág. 157) – e a nossa liberdade enquanto cidadãos. Que responsabilidade ainda temos hoje na construção do património cultural dos cinco continentes? Qual é o conhecimento emergente e a nova vivência humana na era da imersão interactiva?
Uma das preocupações do filósofo francês Pierre Lévy, revelada na sua obra Cibercultura, é o “dilúvio informativo” que move a cultura de massa, actualmente utilizadora frequente da Internet. A partir de agora, cada indivíduo ocupa uma posição singular e evolutiva numa sociedade cujos conhecimentos emergentes são abertos, contínuos e não lineares e a cibercultura, enquanto universal sem totalidade – “A cada minuto que passa, novas pessoas acedem à Internet, novos computadores são interconectados, novas informações são introduzidas na rede. Quanto mais o ciberespaço se amplia, mais este se torna “universal”, e menos o mundo informacional se torna totalizável”. (Lévy, pág. 111.) –, transforma as condições de vida em sociedade. Mas será que os indivíduos podem controlar ou seleccionar as informações recebidas, terão alguma acção sobre a emissão dessa informação?
Nesta obra, Lévy esclarece, desde logo, os termos "ciberespaço" e "cibercultura". "O ciberespaço (que também chamo de rede) é o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores. O termo especifica não apenas a infra-estrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo. Quanto ao neologismo “cibercultura”, especifica aqui o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço." (pág. 17).
É curioso verificar que o antigo “receptor” passa a produzir e a emitir a sua própria informação, de forma livre e planetária. As práticas comunicacionais da Internet mostram que as pessoas estão a produzir vídeos, fotos, música, escrevem em blogs, criam fóruns e comunidades, desenvolvem softwares e ferramentas da Web 2.0, trocam música, etc. Aliás, um dos fenómenos verificados e estudados por Castells (2007), quanto ao carácter da sociedade contemporânea, é a importância crescente que esta dá à informação e ao conhecimento (a sociedade do conhecimento enquanto novo paradigma tecnológico). Passámos da era industrial para a era informacional e esta mudança histórica deveu-se ao advento das novas tecnologias de comunicação e informação. Embora afirme que as redes não são uma nova forma de organização social, estas tornaram-se uma característica chave na morfologia digital, porque “são estruturas abertas, capazes de se expandir de forma ilimitada, integrando novos nós(*) desde que consigam comunicar dentro da rede, nomeadamente, desde que partilhem os mesmos códigos de comunicação (por exemplo, valores ou objectivos de desempenho).” (Castells, pág. 607). Porém, dever-se-á confundir este fenómeno social com excesso de informação?
Na cultura pós-massiva estão a ser construídos novos modelos de conhecimento e, no âmbito da cibercultura, é possível identificar novos actos quotidianos: produzir, colocar em circulação e disponibilizar livremente cada vez mais informação. Para dar exemplos concretos, podemos dizer que blogs e podcasts tornaram-se novas formas de emissão textual, imagética e sonora pelas quais cada utilizador faz o seu próprio veículo. Os blogs são hoje um fenómeno mundial de emissão livre de informação sobre diversos formatos (pessoais, jornalísticos, empresariais, académicos, comunitários...). Os podcasts, por sua vez, são formas livres de emissão sonora pelas quais cada utilizador pode criar o seu próprio programa e disseminá-lo pela rede.
A verdade é que a revolução da cibercultura implica novos sentidos da tecnologia – que ideias novas resultam deste objecto inventado para ser utilizado, também, como meio de comunicação? –, uma vez que esta se tornou no novo ambiente material para o Homem, tendo um impacto considerável na sua vida, com signos e imagens por meio dos quais ele atribui sentido ao mundo. Não podemos deixar de pensar que esta tecnologia é produto social e cultural e com a revolução da informática, voltamos ao velho sonho de um mundo da comunicação livre, sem entraves, democrático, global, porque, como afirma Lemos (2008), “no fim do século XX, com o surgimento dos media “pós-massivos” (eletrónico-digitais), a relação com o espaço passou por transformações a partir da liberação da emissão e da conexão generalizada por redes online”. O novo paradigma traduz o mundo em dados binários, para posterior processamento em máquinas informacionais, os computadores. A dominação agora é digital e, como afirma Lévy, “o ciberespaço suporta tecnologias intelectuais que amplificam, exteriorizam e modificam numerosas funções cognitivas humanas: memória (bancos de dados, hiperdocumentos, arquivos digitais de todos os tipos(, imaginação (simulações), percepção (sensores digitais, telepresença, realidades virtuais), raciocínios (inteligência artificial, modelização de fenómenos complexos.” (pág. 157).
Mas resta perguntar para onde essa revolução nos levará. Não basta emitir sem se conectar, compartilhar, por exemplo, através da Internet. A internet traz-nos a possibilidade de actuarmos em rede, onde cada um de nós é um “nó”. Não há centro, a acção de cada nó é como um microcosmos dentro do cosmos, que pode influenciar e reconfigurar toda a rede. É preciso emitir em rede, entrar em conexão com outros, produzir sinergias, trocar informação, fazê-la circular, distribuí-la. “A emergência do ciberespaço acompanha, traduz e favorece uma evolução geral da civilização. Uma técnica é produzida dentro de uma cultura e uma sociedade encontra-se condicionada [e não determinada] por suas técnicas." (Lévy, pág.25). São estas técnicas que abrem algumas possibilidades, algumas opções culturais e sociais (a técnica condiciona), sem as quais o pensamento contemporâneo seria diferente. Esse segundo princípio, a conexão em rede online, parece ser mesmo uma característica fundamental da cibercultura, enquanto forma de transmissão. Como diz Lévy, “a sua principal operação é a de conectar no espaço, de construir e de estender os rizomas do sentido”. (pág. 249). Desde o início, a Internet caracteriza-se como lugar de conexão e partilha. Foi assim que surgiram as primeiras listas de discussão, as trocas de email, os chats...
Gostava ainda de destacar três exemplos referidos no capítulo dedicado ao movimento social da cibercultura (p.123-132), em que Pierre Lévy recorda que a emergência do ciberespaço é fruto de um verdadeiro movimento social da juventude. São desenvolvidos três princípios que sustentam este movimento social da cibercultura: a interconexão (p. 127), as comunidades virtuais (p. 127-130) e a inteligência colectiva (p. 130-132).
A interconexão transfere para uma existência diferente o próprio ciberespaço: “Os veículos de informação não estariam mais no espaço mas (…) todo o espaço se tornaria um canal interactivo.” (pág. 127). Constitui-se, assim, um mundo físico para suportar a comunicação universal que rejeita o isolamento. Aquilo que possamos imaginar como máquinas de comunicação passarão, em breve, a estar interligadas na Internet e este novo ambiente – o ciberespaço obedece ao “imperativo categórigo da cibercultura” (pág. 127) – proporcionará um segundo tipo de conexão, neste caso, das ideias que podem, por sua vez, ser agrupadas em tribos ou em comunidades virtuais. “A interconexão constitui a humanidade em um contínuo sem fronteiras”, afirma Lévy, porque a “cibercultura aponta para uma civilização da telepresença generalizada.” (pág. 127).
Como as comunidades virtuais processam a cooperação (afinidade de interesses e conhecimentos) através da troca de informações que a consolidam enquanto grupo, independente de proximidades geográficas, elas apoiam-se partindo da interconexão.
As relações sociais que acontecem nessas comunidades não impedem que se criem emoções entre os participantes do ciberespaço, embora “a comunicação por meio de redes de computadores [não] substitua (…) os encontros físicos.” (pág. 128). Aliás, “afinidades, alianças intelectuais e até mesmo amizades podem desenvolver-se nos grupos de discussão [online].” (pág. 128).
Informação e sentimento estão presentes numa comunidade virtual em que as tomadas de posição permitem, por exemplo, as personalidades dos intervenientes. Este é um bom argumento para concluir que esta comunidade é bem real, sendo um colectivo que troca informações e constrói uma opinião pública, gerando um movimento de ideias e, portanto, de intervenção social – não há espaço para uma irresponsabilidade anónima, todos estão atentos ao que é transmitido pelo outro que está do lado de lá do ecrã e noutro ponto do planeta -, dentro mesmo do ciberespaço e na cibercultura. E este fenómeno de comunicação colectiva (processos abertos de cooperação, aprendizagem cooperativa) “é a expressão da aspiração de construção de um laço social, que não seria fundado nem sobre links territoriais, nem sobre relações institucionais e de poder, mas sobre a reunião em torno de centros de interesses comuns.” (pág. 130).
O terceiro princípio da cibercultura, base também do movimento social acima referido, é a inteligência colectiva. Pierre Lévy acredita que as redes de comunicação e as memórias digitais irão em breve suportar as representações e mensagens que circulam pelo planeta e defende a hipótese de que é possível, e até desejável, produzir dispositivos que encarnem ou materializem efectivamente a inteligência colectiva.
Este filósofo apresenta a inteligência colectiva como um novo tipo de pensamento sustentado por conexões sociais que são viáveis através da utilização das redes abertas da Internet. Aceita o pressuposto que “o melhor uso que podemos fazer do ciberespaço é colocar em sinergia os saberes, as imaginações, as energias espirituais daqueles que estão conectados a ele.” (pág. 131) Acredita que as sociedades tendem a organizar-se cada vez menos em padrões formais e a valorizarem cada vez mais a aprendizagem cooperativa e colectiva como nova forma de organização.
Trocar informações mais verticalizadas dentro de centros de interesse significa criar uma rede especializada, onde a circulação da informação (através da interconexão) acontece de forma mais rápida e centrada (por meio das comunidades virtuais), um colectivo inteligente que se apropia, mais facilmente, das alterações técnicas que reduzem “os efeitos de exclusão ou de destruição humana resultantes da aceleração do movimento técnico-social.” (pág. 29)
Fora da interconexão e de uma comunidade virtual, somos, cada um de nós, um elemento contribuinte do inconsciente colectivo – um movimento etéreo, invisível, intuitivo e não cerebral. No ciberespaço, o nosso colectivo é (mais) consciente, inteligente e mais visível e, enquanto suporte da inteligência colectiva, o ciberespaço é uma das condições principais do seu próprio desenvolvimento. Porém, este não é determinado automaticamente, trata-se apenas de um ambiente propício à criação dessa inteligência.
Pierre Lévy conclui que a emergência do ciberespaço, da cibercultura é despoletada pela abertura para a alteridade que movimenta as comunidades virtuais, a inteligência colectiva e a interconexão. Estes princípios, no global, são a essência e condição da cibercultura.
(*) “A rede é um conjunto de nós interligados. Um nó é o ponto no qual uma curva se intercepta. O nó a que nos referimos depende do tipo de redes em causa”. (Castells, pág. 606).
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REFERÊNCIAS
CASTELLS, Manuel (2007). "A sociedade em rede: A era da informação: Economia, sociedade e cultura" (3ª ed., Vol. 1). (A. Lemos, C. Lorga, & T. Soares, Trads.) Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
LEMOS, André (2007). "Ciberespaço e tecnologias móveis: processos de territorialização e desterritorialização na cibercultura". In: MÉDOLA, Ana Silvia; ARAÚJO, Denise; BRUNO, Fernanda (Org.). “Imagem, visibilidade e cultura midiática”. Porto Alegre: Sulina, p. 277-293. Disponível em www.andrelemos.info/artigos/territorio.pdf , acedido em Abril de 2010.
LEMOS, André (2008). "Mídia locativa e território informacional". SANTAELLA, Lucia;
ARANTES, Priscila (Org.). Estéticas tecnológicas: novos modos de sentir. São Paulo: EDUC. Disponível em www.andrelemos.info/artigos/midia_locativa.pdf, acedido em Abril de 2010.
LÉVY, Pierre (1994). "Inteligencia colectiva: por una antropologia del ciberespacio". Disponível em http://www.4shared.com/document/RqH5viQd/Levyinteligencia_colectiva.html?err=no-sess, acedido em Abril de 2010.
LÉVY, Pierre (1999). "Cibercultura", Editora 34, S. Paulo.
TRIVINHO, Eugênio (2003). "Cibercultura, sociossemiose e morte. Sobrevivência em tempos de terror dromocrático", GT Sociedade Tecnológica, COMPÓS. Disponível em http://www.comunica.unisinos.br/tics/textos/2003/GT12TB2.PDF, acedido em Abril de 2010.
2010/04/08
Provedora do Estudante da Univ. Aberta
Aproveito para transcrever o seu comunicado:
"Apresento-me na qualidade de Provedora do Estudante da Universidade Aberta. É com muita honra que me proponho desempenhar este cargo e que saúdo todos aqueles que fazem parte da Comunidade Educativa da Universidade Aberta.
Dirijo-me primeiramente aos Estudantes, para lhes assegurar que me irei interessar por cada um dos casos que me forem apresentados e dar o devido seguimento que estes merecerem, no sentido de obviar, no mais curto espaço de tempo possível, às angústias e anseios expressos nas reclamações ou sugestões que forem dirigidas à Provedoria.
Estou certa de que a Provedoria poderá contar com a pronta colaboração dos responsáveis pelos Órgãos e Serviços da Universidade, na resolução concertada de eventuais obstruções ou impedimentos que se coloquem no caminho das aprendizagens inovadoras, na sua maioria baseadas no ensino a distância online, que se apresentam aos nossos estudantes, a quem se exige uma particular responsabilização pelo seu percurso educativo e aprendizagem ao longo da vida.
A implementação do novo modelo pedagógico baseado no e-learning exigiu, num curto espaço de tempo, uma rápida adaptação e formação, não só por parte dos estudantes, mas também por parte dos docentes e dos serviços inerentes. É importante um respeito recíproco pelo esforço empenhado de cada um, para levar a cabo a missão da Universidade.
Será esta a minha prioridade, ouvir os estudantes e assegurar os seus direitos, liberdades e garantias, através de reflexões e propostas de soluções que os estudantes poderão acompanhar no Espaço Provedor do Estudante da Universidade Aberta, logo que este esteja disponível."
(Link para o comunicado: http://www.univ-ab.pt/uabNewsletter/dd_detail.php?id=33&idArtigo=232)