Numa actividade da unidade curricular de MREL, do mestrado de Pedagogia em Elearning da Universidade Aberta, eu e a Telma Jesus criámos um recurso educativo aberto (REA) através da ferramenta do GoAnimate.
A temática está relacionada com a Segurança na Internet e os jovens, e concentrámos a nossa atenção no "cyberbullying".
Espero que este recurso desperte a atenção dos jovens alunos, professores e pais, a quem convido, desde já, a comentar e a propôr sugestões que possam melhorar ou completar a animação seguinte:
GoAnimate.com: Cyberbullying by Telma e Marco
Like it? Create your own at GoAnimate.com. It's free and fun!
2010/06/20
2010/06/04
Recensão crítica de vídeos de Michael Wesch
Numa actividade da UC de Educação e Sociedade em Rede do Mestrado em Pedagogia do Elearning da Universidade Aberta, foi solicitado que comentasse alguns vídeos de Michael Wesch (Professor de Antropologia Cultural na Universidade de Kansas, nos EUA - email: mwesch@ksu.edu), disponíveis neste site.
Escrevi o texto que se segue e aguardo as vossas sugestões e comentários:
O trabalho de investigação de Michael Wesch demonstra muito bem como o movimento em rede, proporcionado com o advento da Internet, está a mudar o ensino-aprendizagem dos nossos dias. O próprio Wesch é um agente pioneiro dessa mudança, enquanto educador, ao considerar ser mais importante ajudar os estudantes a colocar questões do que querer continuar o papel convencional do professor: aquele que não põe os estudantes à procura das perguntas...
Quando acontecerá nos estabelecimentos de ensino espalhados por todo o planeta aquilo que se observa na Universidade do Estado de Kansas (vídeo “Students Helping Students”)? O que terá motivado àqueles estudantes para terem vontade em ajudar os colegas? Este comportamento parece ser uma novidade para nós, mas não é tanto assim para os estudantes que frequentam aquela universidade. E o que é novo? Por exemplo, vemos um estudante gritar por ajuda e, rapidamente, aparece uma pequena multidão para ajudar uma condutora a estacionar o seu carro. Tão depressa se formou o grupo, como se desfez depois. E a condutora não mostrou nenhuma surpresa perante este “fenómeno”.
Naquela comunidade, esta atitude parece normal. Mas estes estudantes tê-la-ão apre(e)ndido da parte dos seus professores? Parece que nesta universidade a construção do conhecimento é, fundamentalmente, feita pela comunidade estudantil. A visão dos estudantes afinal está a mudar, questão essa que é tratada noutro vídeo (“A Vision of Students Today”). O que se mantém dos tempos idos nesta universidade são as salas de aula, onde estão dispostas filas de cadeiras viradas para um palco onde se coloca o professor como figura central (e única). Os pensamentos e preocupações dos alunos não são escritos no quadro e sim nas costas das cadeiras e na parede ao fundo da sala. Isso significa que não há diálogo entre os estudantes e o professor?
O que interessa a Wesch são, afinal, essas reflexões dos estudantes: “What are they learning seating here?”. Por isso, temos aqui um pioneiro que promove a mudança de um paradigma educativo. Este educador não pretende ser a autoridade que entra na sala para transmitir informação de qualidade e sim ser aquele que precisa de conhecer as preocupações e pensamentos dos seus alunos para preparar as aulas. Entende assim que a construção dos novos conhecimentos tem de ser feita com os alunos, por mais numerosa que seja a turma.
Este vídeo traz-nos, de forma transparente e pública, o feedback dos alunos. Uma aluna afirma que vai ler 8 livros, 2300 páginas online e 1281 perfis no Facebook este ano - e pensamos que importância terão esses livros e informação na sua aprendizagem universitária. Outra aluna esclarece que completou 49% das leituras definidas para si. Outra aluna ainda confessa que só 26% do que lê e estuda será relevante para a sua vida. Mas muitos outros decidem falar de situações pessoais que acontecem fora da sala de aula. Esperemos que Wesch não tenha grande dificuldade em planificar as aulas para estes estudantes, depois de conhecer estas reacções…
Porém, é isso que acaba por fazer na sua prática lectiva, sendo um educador com preocupações sociais para a educação, como se pode verificar no vídeo “The Machine is (Changing) Us: Youtube and the Plitics of Authenticity”. Uma das ideias que desenvolve relaciona-se com a informação criada em rede ("networked information environment") enquanto modalidade inovadora de construção dos conhecimentos. Na sua opinião, as novas tecnologias e os vários serviços online estão a permitir que as pessoas se juntem para construírem estes saberes de qualidade que podem rivalizar com os conteúdos elaborados pelos especialistas, a quem é reconhecida autoridade científica. O mundo em conjunto discute essa informação, participa em rede. É um bom exemplo para mostrar como a educação precisa de ter uma função social.
Wesch propõe, aliás, que essas novas tecnologias sejam trazidas para a sala de aula. Certamente que não está a falar em partilhar fotos ou enviar mensagens através do Facebook , MySpace ou Twitter. Essa ideia tem de desaparecer da mente dos professores que vêem apenas esses aspectos e não outras funcionalidades educativas das ferramentas e serviços Web2.0. Relembrando a teoria de Postman (“Media ecology”), entenda-se que “media are not just tools”, “media are not just means of communication”, porque “media mediate our conversations” e, por isso, os novos pensamentos mediados pelas novas tecnologias estão na raiz da mudança da nossa cultura. É incontornável a educação relacionar-se com esta cultura.
É importante perceber ainda que, sendo utilizadores das novas tecnologias, os estudantes procuram dar novos significados à informação que encontram e constroem no cibermundo. Portanto, este mundo virtual é também o seu espaço de aprendizagem. Segundo Wesch, os estabelecimentos de ensino têm não só de acolher esses novos significados, como também lhes dar a relevância que só a educação sabe fazer.
Por fim, reconhecer o papel central que os estudantes têm na formação dos novos saberes, enquanto agentes da sociedade em rede, será uma forma de integrar as consequências do impacto da Internet na educação. Só assim se pode recuperar a “antiga dimensão comunitária da aprendizagem”.
Escrevi o texto que se segue e aguardo as vossas sugestões e comentários:
O trabalho de investigação de Michael Wesch demonstra muito bem como o movimento em rede, proporcionado com o advento da Internet, está a mudar o ensino-aprendizagem dos nossos dias. O próprio Wesch é um agente pioneiro dessa mudança, enquanto educador, ao considerar ser mais importante ajudar os estudantes a colocar questões do que querer continuar o papel convencional do professor: aquele que não põe os estudantes à procura das perguntas...
Quando acontecerá nos estabelecimentos de ensino espalhados por todo o planeta aquilo que se observa na Universidade do Estado de Kansas (vídeo “Students Helping Students”)? O que terá motivado àqueles estudantes para terem vontade em ajudar os colegas? Este comportamento parece ser uma novidade para nós, mas não é tanto assim para os estudantes que frequentam aquela universidade. E o que é novo? Por exemplo, vemos um estudante gritar por ajuda e, rapidamente, aparece uma pequena multidão para ajudar uma condutora a estacionar o seu carro. Tão depressa se formou o grupo, como se desfez depois. E a condutora não mostrou nenhuma surpresa perante este “fenómeno”.
Naquela comunidade, esta atitude parece normal. Mas estes estudantes tê-la-ão apre(e)ndido da parte dos seus professores? Parece que nesta universidade a construção do conhecimento é, fundamentalmente, feita pela comunidade estudantil. A visão dos estudantes afinal está a mudar, questão essa que é tratada noutro vídeo (“A Vision of Students Today”). O que se mantém dos tempos idos nesta universidade são as salas de aula, onde estão dispostas filas de cadeiras viradas para um palco onde se coloca o professor como figura central (e única). Os pensamentos e preocupações dos alunos não são escritos no quadro e sim nas costas das cadeiras e na parede ao fundo da sala. Isso significa que não há diálogo entre os estudantes e o professor?
O que interessa a Wesch são, afinal, essas reflexões dos estudantes: “What are they learning seating here?”. Por isso, temos aqui um pioneiro que promove a mudança de um paradigma educativo. Este educador não pretende ser a autoridade que entra na sala para transmitir informação de qualidade e sim ser aquele que precisa de conhecer as preocupações e pensamentos dos seus alunos para preparar as aulas. Entende assim que a construção dos novos conhecimentos tem de ser feita com os alunos, por mais numerosa que seja a turma.
Este vídeo traz-nos, de forma transparente e pública, o feedback dos alunos. Uma aluna afirma que vai ler 8 livros, 2300 páginas online e 1281 perfis no Facebook este ano - e pensamos que importância terão esses livros e informação na sua aprendizagem universitária. Outra aluna esclarece que completou 49% das leituras definidas para si. Outra aluna ainda confessa que só 26% do que lê e estuda será relevante para a sua vida. Mas muitos outros decidem falar de situações pessoais que acontecem fora da sala de aula. Esperemos que Wesch não tenha grande dificuldade em planificar as aulas para estes estudantes, depois de conhecer estas reacções…
Porém, é isso que acaba por fazer na sua prática lectiva, sendo um educador com preocupações sociais para a educação, como se pode verificar no vídeo “The Machine is (Changing) Us: Youtube and the Plitics of Authenticity”. Uma das ideias que desenvolve relaciona-se com a informação criada em rede ("networked information environment") enquanto modalidade inovadora de construção dos conhecimentos. Na sua opinião, as novas tecnologias e os vários serviços online estão a permitir que as pessoas se juntem para construírem estes saberes de qualidade que podem rivalizar com os conteúdos elaborados pelos especialistas, a quem é reconhecida autoridade científica. O mundo em conjunto discute essa informação, participa em rede. É um bom exemplo para mostrar como a educação precisa de ter uma função social.
Wesch propõe, aliás, que essas novas tecnologias sejam trazidas para a sala de aula. Certamente que não está a falar em partilhar fotos ou enviar mensagens através do Facebook , MySpace ou Twitter. Essa ideia tem de desaparecer da mente dos professores que vêem apenas esses aspectos e não outras funcionalidades educativas das ferramentas e serviços Web2.0. Relembrando a teoria de Postman (“Media ecology”), entenda-se que “media are not just tools”, “media are not just means of communication”, porque “media mediate our conversations” e, por isso, os novos pensamentos mediados pelas novas tecnologias estão na raiz da mudança da nossa cultura. É incontornável a educação relacionar-se com esta cultura.
É importante perceber ainda que, sendo utilizadores das novas tecnologias, os estudantes procuram dar novos significados à informação que encontram e constroem no cibermundo. Portanto, este mundo virtual é também o seu espaço de aprendizagem. Segundo Wesch, os estabelecimentos de ensino têm não só de acolher esses novos significados, como também lhes dar a relevância que só a educação sabe fazer.
Por fim, reconhecer o papel central que os estudantes têm na formação dos novos saberes, enquanto agentes da sociedade em rede, será uma forma de integrar as consequências do impacto da Internet na educação. Só assim se pode recuperar a “antiga dimensão comunitária da aprendizagem”.
2010/05/27
MyMPEL 2010 - um contributo
Aqui está uma contribuição feita em grupo para a 1.ª Conferência do Mestrado em Pedagogia do Elearning.
Este evento foi uma oportunidade formidável para os estudantes deste mestrado partilharem as suas experiências e perspectivas sobre as teorias estudadas e trabalhos desenvolvidos no âmbito das várias unidades curriculares. Os vários paineis apresentados (ver aqui) por professores, estudantes e investigadores de outras instituições de ensino superior desempenharam muito bem o seu papel neste evento: fazer a apresentação do currículo do mestrado e, sobretudo, da opinião dos seus intervenientes.
Agora, dêem uma espreitadela no recurso que se segue:
Este evento foi uma oportunidade formidável para os estudantes deste mestrado partilharem as suas experiências e perspectivas sobre as teorias estudadas e trabalhos desenvolvidos no âmbito das várias unidades curriculares. Os vários paineis apresentados (ver aqui) por professores, estudantes e investigadores de outras instituições de ensino superior desempenharam muito bem o seu papel neste evento: fazer a apresentação do currículo do mestrado e, sobretudo, da opinião dos seus intervenientes.
Agora, dêem uma espreitadela no recurso que se segue:
My m pel_projecto_curso_jovens
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2010/05/12
A questão da autenticidade e transparência na rede
No âmbito da actividade 4 da UC de Educação e Sociedade em Rede, do Mestrado de Pedagogia em Elearning da Universidade Aberta, e na sequência de um debate realizado no fórum de discussão online desta disciplina, pretendo fazer uma síntese sobre a questão da autenticidade e transparência na rede.
Foi interessante reflectir um pouco sobre a nossa identidade, para tentar perceber se, com o advento da Internet, passámos a ter mais de uma identidade ou o seu prolongamento.
Nem sempre queremos mostrar quem autenticamente somos, por isso pode ser fácil transpor para o ambiente virtual a “falsidade” do Eu. Por exemplo, os dados pessoais e profissionais estão omissos ou, quando visíveis, são alterados. Talvez isso seja feito para esconder, proteger ou salvaguardar a nossa intimidade. Há quem prefira também manter-se anónimo em fóruns de discussão online ou em ambientes virtuais (ex.: Second Life), onde se cria um avatar que pode não ser o representante fiel. Parece que a vontade aqui é impedir que o Outro nos veja a nós tal como somos... Portanto, não se consegue fundamentar que há transparência total no ciberespaço.
É curioso observar que, mesmo em ambiente virtual, o indivíduo continua a precisar de relacionar-se com pessoas, partilhar experiências e conhecimentos com os outros. A nova tendência é reunirem-se em grupos sociais online a fim de partilharem interesses comuns. Lembrando-nos de Castells, graças à Internet e às TIC, vivemos actualmente uma era da informação e do conhecimento. A sociedade caracteriza-se por uma nova forma de comunicação que valoriza a informação, alterando desse modo a estrutura vigente. A informação flui a velocidades e em quantidades antes inimagináveis.
CONCLUSÃO:
Talvez este novo ambiente tenha fomentado junto desses utilizadores da Internet uma vontade de criar uma nova identidade – adequar a sua personalidade a um mundo desconhecido mas muito exigente a vários níveis - para marcar um lugar e fazer-se, assim, reconhecer como diferente entre tantos outros. Será que a necessidade de criar identidades diferentes (digitais) ameaça a estabilidade da sociedade “tradicional”? A verdade é que as referências se alteraram para se sobreviver nesta nova era tecnológica.
Outra temática pertinente abordada foi a fraude intelectual. Talvez seja precipitado concluir que este tipo de fraude possa aumentar com o advento da Internet. Como afirma a colega Cecília, a fraude intelectual sempre existiu e, embora através da Internet seja fácil praticar a fraude intelectual, também esta tecnologia permite identificar rapidamente onde há essa mesma fraude.
O plágio mereceu uma atenção especial no debate, porque a propriedade intelectual parece nem sempre ser respeitada na Internet. Este comportamento deve ser alterado pois todos os conteúdos disponíveis online estão “licenciados”, isto é, estão protegidos pelos direitos de autor, mesmo que a licença não esteja visível.
CONCLUSÃO
Se calhar a Internet veio contrariar a prática, consciente ou não, do plágio. Sabendo os estudantes ou outros indivíduos, a título pessoal ou profissional - será que os jornalistas dão sempre crédito ao autor? –, que há um enorme risco de serem descobertos e, consequentemente, penalizados pelo professor ou avaliador, a fraude intelectual pode é estar a diminuir, graças à Internet…
Chegados a este ponto, podemos então perguntar-nos se a rede é segura e como é garantida ou não a qualidade da informação partilhada.
Sendo a Internet a grande Rede, à qual confluem outras redes mais pequenas, mas não menos complexas, percebemos que este conceito de rede mudou definitivamente a gestão da informação. A possibilidade de poder aceder a uma outra máquina aumenta as vantagens daquela em que nos encontramos. Mas essa conectividade traz riscos.
Embora a maior parte dos utilizadores não consiga, por si mesmos, garantir a segurança sobre as suas participações na Internet, muitos serviços online já oferecem, de forma satisfatória, essa possibilidade. No entanto, a preocupação pela segurança mantém-se. Como lembra a colega Lauriza, os ataques efectuados têm aumentado de tal maneira que “colocam em xeque as nossas crenças. Lançam por terra nossas elaborações sobre segurança.”
Aliás, desde o início que esta questão da segurança na Internet tem sido um foco de discussão.
CONCLUSÃO
Portanto, nenhum utilizador deve ignorar as formas como pode proteger-se contra os ataques que podem por em risco aquilo que constrói (um exemplo: fraude intelectual) e partilha nesse ambiente virtual. A única forma de combater esse mal é continuarmos a passar a mensagem que a segurança na Internet se faz tomando regularmente as devidas precauções (exemplo: tornar visíveis as licenças dos conteúdos disponibilizados no ciberespaço).
Quanto à credibilidade da informação que é partilhada na Internet, fez sentido relacionarmos esta questão com a fraude intelectual. Ora, nem sempre é possível saber que a informação que recolhemos foi exclusivamente criada pelo autor identificado.
Como sabemos, uma das formas de avaliar a qualidade da informação é saber quem a elaborou. Tendo isto em conta, uma das saídas é seleccionar os conteúdos disponíveis na Internet, através deste critério.
CONCLUSÃO
É difícil garantir que toda a informação que circula nesse mundo virtual tenha a mesma qualidade e, por isso, seja sempre credível. Talvez seja por isso que, cada vez mais, os profissionais se juntem em comunidades sociais para concentrar nessas redes a informação de que precisam e partilham. Os motores de pesquisa, como o Google, estão assim a perder terreno, porque os critérios que são utilizados para os resultados da pesquisa que apresentam deixaram de ser aceites por utilizadores mais "informados".
Por fim, haverá alguma entidade que controla esta rede tão complexa?
A Internet é um difusor por excelência de informação, no sentido de ter um elevado potencial – é tecnologicamente aberta - nessa disseminação junto de grupos de todas as gerações (“sociedade interactiva”), criando mesmo novos comportamentos, como é o caso da comunicação mediada por computador (CMC). Aliás, esta comunicação acaba por ser o medium para a interacção pessoal e a expressão de pensamentos e preocupações, tornando-se numa nova forma de organização em rede. “O modelo de comunicação electrónica”, afirma Castells, “de muitos-para-muitos, representado pela CMC, tem sido usado de diferentes formas e com diferentes propósitos, tantos quantos o alcance da variação social e contextual dos seus utilizadores” (Castells, pág. 476).
O colega António apresentou uma lista de sites de entidades que já controlam ou procuram exercer esse controlo sobre o acesso a alguns serviços da Internet ou proibir que o utilizador se conecte, como sanção a determinados comportamentos não aceites, por exemplo, por um governo.
Será que as novas formas de regulamentação dos governos pretendem assegurar o direito dos cidadãos terem acesso a uma informação confiável, a notícias autênticas, seguras e verificáveis? Talvez seja apenas mais uma forma de repressão... O que não significa, porém, que seja possível a uma só entidade dominar a expansão dos meios de comunicação de massas ou a grande quantidade de dados que circulam actualmente pela Internet.
Se isso um dia acontecer, espero que tenha como missão prioritária garantir os mínimos de qualidade da informação e não estabelecer limites (censura?) ao seu acesso. Lembremo-nos que o objectivo inicial foi criar um ciberespaço aberto e livre.
CONCLUSÃO
Na minha opinião, ninguém consegue controlar aquilo que está disponível na Internet. Falando da organização dos Estados Unidos, ICANN, o que esta entidade controla é a distribuição de endereços e nomes. A ICANN garante que cada computador ligado à rede seja identificado por um único número e um único nome.
No entanto, parece haver grande interesse dos países em controlar alguns aspectos da dinâmica desse mundo virtual. Não só foi criado o domínio de cada país - em Portugal é .pt -, como já censuram a utilização de certos conteúdos e serviços.
____________________________________________________________________
REFERÊNCIAS
Castells, M. (2003) A Sociedade em Rede. A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura, Vol. 1, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian.
Foi interessante reflectir um pouco sobre a nossa identidade, para tentar perceber se, com o advento da Internet, passámos a ter mais de uma identidade ou o seu prolongamento.
Nem sempre queremos mostrar quem autenticamente somos, por isso pode ser fácil transpor para o ambiente virtual a “falsidade” do Eu. Por exemplo, os dados pessoais e profissionais estão omissos ou, quando visíveis, são alterados. Talvez isso seja feito para esconder, proteger ou salvaguardar a nossa intimidade. Há quem prefira também manter-se anónimo em fóruns de discussão online ou em ambientes virtuais (ex.: Second Life), onde se cria um avatar que pode não ser o representante fiel. Parece que a vontade aqui é impedir que o Outro nos veja a nós tal como somos... Portanto, não se consegue fundamentar que há transparência total no ciberespaço.
É curioso observar que, mesmo em ambiente virtual, o indivíduo continua a precisar de relacionar-se com pessoas, partilhar experiências e conhecimentos com os outros. A nova tendência é reunirem-se em grupos sociais online a fim de partilharem interesses comuns. Lembrando-nos de Castells, graças à Internet e às TIC, vivemos actualmente uma era da informação e do conhecimento. A sociedade caracteriza-se por uma nova forma de comunicação que valoriza a informação, alterando desse modo a estrutura vigente. A informação flui a velocidades e em quantidades antes inimagináveis.
CONCLUSÃO:
Talvez este novo ambiente tenha fomentado junto desses utilizadores da Internet uma vontade de criar uma nova identidade – adequar a sua personalidade a um mundo desconhecido mas muito exigente a vários níveis - para marcar um lugar e fazer-se, assim, reconhecer como diferente entre tantos outros. Será que a necessidade de criar identidades diferentes (digitais) ameaça a estabilidade da sociedade “tradicional”? A verdade é que as referências se alteraram para se sobreviver nesta nova era tecnológica.
Outra temática pertinente abordada foi a fraude intelectual. Talvez seja precipitado concluir que este tipo de fraude possa aumentar com o advento da Internet. Como afirma a colega Cecília, a fraude intelectual sempre existiu e, embora através da Internet seja fácil praticar a fraude intelectual, também esta tecnologia permite identificar rapidamente onde há essa mesma fraude.
O plágio mereceu uma atenção especial no debate, porque a propriedade intelectual parece nem sempre ser respeitada na Internet. Este comportamento deve ser alterado pois todos os conteúdos disponíveis online estão “licenciados”, isto é, estão protegidos pelos direitos de autor, mesmo que a licença não esteja visível.
CONCLUSÃO
Se calhar a Internet veio contrariar a prática, consciente ou não, do plágio. Sabendo os estudantes ou outros indivíduos, a título pessoal ou profissional - será que os jornalistas dão sempre crédito ao autor? –, que há um enorme risco de serem descobertos e, consequentemente, penalizados pelo professor ou avaliador, a fraude intelectual pode é estar a diminuir, graças à Internet…
Chegados a este ponto, podemos então perguntar-nos se a rede é segura e como é garantida ou não a qualidade da informação partilhada.
Sendo a Internet a grande Rede, à qual confluem outras redes mais pequenas, mas não menos complexas, percebemos que este conceito de rede mudou definitivamente a gestão da informação. A possibilidade de poder aceder a uma outra máquina aumenta as vantagens daquela em que nos encontramos. Mas essa conectividade traz riscos.
Embora a maior parte dos utilizadores não consiga, por si mesmos, garantir a segurança sobre as suas participações na Internet, muitos serviços online já oferecem, de forma satisfatória, essa possibilidade. No entanto, a preocupação pela segurança mantém-se. Como lembra a colega Lauriza, os ataques efectuados têm aumentado de tal maneira que “colocam em xeque as nossas crenças. Lançam por terra nossas elaborações sobre segurança.”
Aliás, desde o início que esta questão da segurança na Internet tem sido um foco de discussão.
CONCLUSÃO
Portanto, nenhum utilizador deve ignorar as formas como pode proteger-se contra os ataques que podem por em risco aquilo que constrói (um exemplo: fraude intelectual) e partilha nesse ambiente virtual. A única forma de combater esse mal é continuarmos a passar a mensagem que a segurança na Internet se faz tomando regularmente as devidas precauções (exemplo: tornar visíveis as licenças dos conteúdos disponibilizados no ciberespaço).
Quanto à credibilidade da informação que é partilhada na Internet, fez sentido relacionarmos esta questão com a fraude intelectual. Ora, nem sempre é possível saber que a informação que recolhemos foi exclusivamente criada pelo autor identificado.
Como sabemos, uma das formas de avaliar a qualidade da informação é saber quem a elaborou. Tendo isto em conta, uma das saídas é seleccionar os conteúdos disponíveis na Internet, através deste critério.
CONCLUSÃO
É difícil garantir que toda a informação que circula nesse mundo virtual tenha a mesma qualidade e, por isso, seja sempre credível. Talvez seja por isso que, cada vez mais, os profissionais se juntem em comunidades sociais para concentrar nessas redes a informação de que precisam e partilham. Os motores de pesquisa, como o Google, estão assim a perder terreno, porque os critérios que são utilizados para os resultados da pesquisa que apresentam deixaram de ser aceites por utilizadores mais "informados".
Por fim, haverá alguma entidade que controla esta rede tão complexa?
A Internet é um difusor por excelência de informação, no sentido de ter um elevado potencial – é tecnologicamente aberta - nessa disseminação junto de grupos de todas as gerações (“sociedade interactiva”), criando mesmo novos comportamentos, como é o caso da comunicação mediada por computador (CMC). Aliás, esta comunicação acaba por ser o medium para a interacção pessoal e a expressão de pensamentos e preocupações, tornando-se numa nova forma de organização em rede. “O modelo de comunicação electrónica”, afirma Castells, “de muitos-para-muitos, representado pela CMC, tem sido usado de diferentes formas e com diferentes propósitos, tantos quantos o alcance da variação social e contextual dos seus utilizadores” (Castells, pág. 476).
O colega António apresentou uma lista de sites de entidades que já controlam ou procuram exercer esse controlo sobre o acesso a alguns serviços da Internet ou proibir que o utilizador se conecte, como sanção a determinados comportamentos não aceites, por exemplo, por um governo.
Será que as novas formas de regulamentação dos governos pretendem assegurar o direito dos cidadãos terem acesso a uma informação confiável, a notícias autênticas, seguras e verificáveis? Talvez seja apenas mais uma forma de repressão... O que não significa, porém, que seja possível a uma só entidade dominar a expansão dos meios de comunicação de massas ou a grande quantidade de dados que circulam actualmente pela Internet.
Se isso um dia acontecer, espero que tenha como missão prioritária garantir os mínimos de qualidade da informação e não estabelecer limites (censura?) ao seu acesso. Lembremo-nos que o objectivo inicial foi criar um ciberespaço aberto e livre.
CONCLUSÃO
Na minha opinião, ninguém consegue controlar aquilo que está disponível na Internet. Falando da organização dos Estados Unidos, ICANN, o que esta entidade controla é a distribuição de endereços e nomes. A ICANN garante que cada computador ligado à rede seja identificado por um único número e um único nome.
No entanto, parece haver grande interesse dos países em controlar alguns aspectos da dinâmica desse mundo virtual. Não só foi criado o domínio de cada país - em Portugal é .pt -, como já censuram a utilização de certos conteúdos e serviços.
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REFERÊNCIAS
Castells, M. (2003) A Sociedade em Rede. A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura, Vol. 1, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian.
2010/05/05
Iª Conferência do Mestrado em Pedagogia do Elearning -myMPeL2010

Este encontro será realizado no Museu das Comunicações em Lisboa, em 14-05-2010, e é uma iniciativa da Coordenação do Mestrado de Pedagogia em Elearning no quadro do Departamento de Educação e Ensino a Distância [DEED] da Universidade Aberta.
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A respectiva inscrição e as informações sobre esta Conferência podem ser obtidas no seguinte website http://mpel.crowdvine.com/.
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Irei acompanhar online este evento, mas participarei da seguinte forma:
GoAnimate.com: Inquérito MyMPEL by marcofreitas
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2010/04/26
"Open Educational Resources: Unlocking Knowledge to the Global Community"
Este vídeo foi preparado pela Northern California Grantmakers
& The William and Flora Hewlett Foundation e mostra muito bem o que são Recursos Educativos Abertos (REA).
Sobre a revolução tecnológica e o ensino online
Numa actividade de grupo realizada no âmbito da u.c. Educação e Sociedade em Rede do mestrado em Pedagogia do E-Learning da www.univ-ab.pt, foi desenvolvido um debate que serviu de palco para a análise e o estudo das obras de Paul Virilio (A Inércia Polar) e J. Baudrillard (Simulacros e Simulação).
Esta estratégia foi útil e eficaz para a interpretação do pensamento dos referidos autores. Relativamente a Baudrillard, destacaria o conceito de “simulacro”, em que é estabelecido um confronto entre o virtual (mundo artificial criado pelas novas tecnologias da comunicação e os media) e o real. A expansão do virtual acontece em prejuízo do real, que se esvazia. Sabemos que a comunicação foi um elemento decisivo para o desenvolvimento da sociedade moderna (e, claro, da contemporânea), mas é interessante observar que a informação é criadora dessa comunicação, é produtora de sentido.
No entanto, Baudrillard vem dizer que a informação vem dissolver esse sentido, não havendo um aumento de inovação mas sim de entropia social total. O reflexo da sua crítica em relação à era actual (Internet) é perceber que o virtual, devido ao aperfeiçoamento tecnológico, potenciou a natureza artificial, simulacional (parece real mas não é), hiper-real (mais “real” do que o real) do processo comunicacional (“esvaziamento” da interactividade).
Virílio também questiona os fenómenos da realidade quotidiana, como uma transcendência da presença imediata. A percepção do “aqui e agora” alteraram-se e experimenta-se a vida de todos os dias (as relações e comunicação) em graus diferentes de aproximação e distância, espacial (que vai além da significação de território) e temporalmente. Graças às novas tecnologias de comunicação, a experiência da realidade é compartilhada, estamos em relação ao outro da mesma maneira que ele está em relação a nós. Partilhamos, juntos, de uma mesma experiência espaço-temporal, só que a perspectiva tradicional sobre estes conceitos mudou. Como afirma Castells, é “a transformação da nossa cultura material pelos mecanismos de um novo paradigma tecnológico que se organiza em torno da tecnologia da informação”. (Castells, 1999)
Neste novo paradigma, a informação passa a ser matéria-prima fundamental e as relações deixam de ser territorializadas para serem mais fragmentadas. Historicamente, os nossos comportamentos relacionavam-se com os processos de urbanização da cidade, necessitavam de um lugar fixo e de continuidade para o seu desempenho. Hoje, a informação, sendo uma matéria-prima muito mais flexível e expressando-se nas mais diversas materialidades, necessita muito pouco de um lugar preciso.
Transferindo esta nova prerrogativa para a lógica de redes, podemos identificar uma clara tendência à valorização do espaço das redes em detrimento do espaço territorial característico da sociedade urbanizada (ver o pensamento de Castells desenvolvido em A Sociedade em Rede. A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura).
Quanto à relação entre o indivíduo e o mundo envolvente (realidade), mediada pelas tecnologias da comunicação (ex.: Internet e email), Virilio apresenta o conceito de "inércia". Já não é importante perceber o que é o "hiper-real" (Baudrillard) e sim identificar os efeitos provocados pela técnica, a maneira como veio dominar o nosso dia-a-dia, os nossos comportamentos e relações nos países em que a comunicação ocorre tecnologicamente (interactividade).
Muitos de nós, interagimos num “cibermundo” (conceito de Virilio) em que o tempo real (o nosso quotidiano) deixou de estar na base da História e a omnipresença da informação (“the information bomb”) tem um ritmo maior (velocidade) proporcionado pelas auto-estradas virtuais (Internet) e pelo desenvolvimento das TIC. E parece que isso nos leva à “inércia”...
Portanto, o espaço das redes permite, com mais velocidade, o desenvolvimento das relações entre as pessoas, tribos e países (que utilizam as novas tecnologias de comunicação). Há uma nova realidade da cultura do digital.
Esta estratégia foi útil e eficaz para a interpretação do pensamento dos referidos autores. Relativamente a Baudrillard, destacaria o conceito de “simulacro”, em que é estabelecido um confronto entre o virtual (mundo artificial criado pelas novas tecnologias da comunicação e os media) e o real. A expansão do virtual acontece em prejuízo do real, que se esvazia. Sabemos que a comunicação foi um elemento decisivo para o desenvolvimento da sociedade moderna (e, claro, da contemporânea), mas é interessante observar que a informação é criadora dessa comunicação, é produtora de sentido.
No entanto, Baudrillard vem dizer que a informação vem dissolver esse sentido, não havendo um aumento de inovação mas sim de entropia social total. O reflexo da sua crítica em relação à era actual (Internet) é perceber que o virtual, devido ao aperfeiçoamento tecnológico, potenciou a natureza artificial, simulacional (parece real mas não é), hiper-real (mais “real” do que o real) do processo comunicacional (“esvaziamento” da interactividade).
Virílio também questiona os fenómenos da realidade quotidiana, como uma transcendência da presença imediata. A percepção do “aqui e agora” alteraram-se e experimenta-se a vida de todos os dias (as relações e comunicação) em graus diferentes de aproximação e distância, espacial (que vai além da significação de território) e temporalmente. Graças às novas tecnologias de comunicação, a experiência da realidade é compartilhada, estamos em relação ao outro da mesma maneira que ele está em relação a nós. Partilhamos, juntos, de uma mesma experiência espaço-temporal, só que a perspectiva tradicional sobre estes conceitos mudou. Como afirma Castells, é “a transformação da nossa cultura material pelos mecanismos de um novo paradigma tecnológico que se organiza em torno da tecnologia da informação”. (Castells, 1999)
Neste novo paradigma, a informação passa a ser matéria-prima fundamental e as relações deixam de ser territorializadas para serem mais fragmentadas. Historicamente, os nossos comportamentos relacionavam-se com os processos de urbanização da cidade, necessitavam de um lugar fixo e de continuidade para o seu desempenho. Hoje, a informação, sendo uma matéria-prima muito mais flexível e expressando-se nas mais diversas materialidades, necessita muito pouco de um lugar preciso.
Transferindo esta nova prerrogativa para a lógica de redes, podemos identificar uma clara tendência à valorização do espaço das redes em detrimento do espaço territorial característico da sociedade urbanizada (ver o pensamento de Castells desenvolvido em A Sociedade em Rede. A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura).
Quanto à relação entre o indivíduo e o mundo envolvente (realidade), mediada pelas tecnologias da comunicação (ex.: Internet e email), Virilio apresenta o conceito de "inércia". Já não é importante perceber o que é o "hiper-real" (Baudrillard) e sim identificar os efeitos provocados pela técnica, a maneira como veio dominar o nosso dia-a-dia, os nossos comportamentos e relações nos países em que a comunicação ocorre tecnologicamente (interactividade).
Muitos de nós, interagimos num “cibermundo” (conceito de Virilio) em que o tempo real (o nosso quotidiano) deixou de estar na base da História e a omnipresença da informação (“the information bomb”) tem um ritmo maior (velocidade) proporcionado pelas auto-estradas virtuais (Internet) e pelo desenvolvimento das TIC. E parece que isso nos leva à “inércia”...
Portanto, o espaço das redes permite, com mais velocidade, o desenvolvimento das relações entre as pessoas, tribos e países (que utilizam as novas tecnologias de comunicação). Há uma nova realidade da cultura do digital.
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