2010/12/31

Avaliação de conteúdos educativos online

A Internet fornece informação e conhecimentos que têm vindo a crescer sempre. Mas nem sempre este repositório extenso é sinónimo de qualidade (disponibilizar recursos não tem por si mesmo valor educativo), pois encontramos facilmente informações irrelevantes. Portanto, o utilizador deve preocupar-se com a selecção que faz dos conhecimentos que pesquisa, bastando para isso avaliar criticamente os sites e seus conteúdos.

Tendo em conta a aprendizagem em contexto online, os professores precisam de perceber como os conteúdos online são estruturados e que controlo o utilizador, enquanto aluno de cursos online, tem sobre a sua exploração. Será que este possui um comportamento behaviorista ou construtivista?

Estes aspectos da avaliação da qualidade dos conteúdos educativos são objecto de estudo de Fernando Albuquerque Costa (Universidade de Lisboa), num artigo intitulado "A aprendizagem como critério de avaliação de conteúdos educativos online", em que conclui que "é nos objectivos definidos para a aprendizagem que devem ser encontrados os principais critérios de avaliação da qualidade dos recursos que através da Internet podemos utilizar com fins educativos".

Aproveito para disponibilizar ainda uma apresentação deste autor sobre a mesma temática.


Avaliação das aprendizagens em contexto online

No âmbito da unidade curricular de CAEL do Mestrado de Pedagogia em Elearning da Universidade Aberta, participei com a colega Telma Jesus na análise dos seguintes artigos:

A) “Aportaciones de la tecnología a la e-Evaluación” de Barberà (2006). Disponível online em http://www.um.es/ead/red/M6/ [acedido em 2010-12-14].

B) “Avaliação da aprendizagem na educação online: relato de pesquisa” de Barreiro-Pinto & M. Silva (2008). Disponível online em http://eft.educom.pt/index.php/eft/article/viewFile/59/40 [acedido em 2010-12-15].

C) "Problemáticas da avaliação online" de M. J. Gomes (2009). Disponível online em http://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/9420/1/Challenges-09-mjgomes.pdf [acedido em 2010-12-15].

D) "Avaliação em processos de educação problematizadora online" de A. Primo (2006). Disponível online em http://www6.ufrgs.br/limc/PDFs/EAD5.pdf [acedido em 2010-12-14].

Pela leitura destes artigos, percebemos que são muitas as características que configuram os actuais ambientes virtuais de aprendizagem e a sua configuração baseia-se nas oportunidades que as novas tecnologias de informação e comunicação oferecem. A interacção entre os vários intervenientes do ensino online tem revelado uma diversidade que se relaciona com o desenvolvimento tecnológico. Por sua vez, se este ambiente virtual se diferencia dos modelos clássicos da educação em geral, não deixa de reconhecer o valor que têm as várias modalidades avaliação, desde que se concentrem em produtos e resultados suportados pela tecnologia.

Se é verdade que o ensino online aponta para um novo paradigma de aprendizagem, torna-se então necessário pensar em novos conceitos e práticas pedagógicas que respondam às novas necessidades de professores e alunos. E esse desafio é a avaliação da aprendizagem online mediada por computador, com recurso aos serviços disponibilizados pela Internet. Este tipo de avaliação apresenta vantagens e desvantagens, mas os seus instrumentos devem adequar-se ao contexto educativo em questão.

A cooperação revelou-se um instrumento indispensável numa aprendizagem em contexto virtual, porque não só permite que o saber seja construído colectivamente e se encontrem em conjunto, soluções para os problemas (o aluno reconhece a responsabilidade da sua aprendizagem e o papel que assume no progresso dos seus colegas), como também, é um caminho possível para conhecer com maior profundidade o Outro.

Os alunos trabalham conjuntamente para resolver problemas concretos, mas o professor continua a ter o papel fundamental de mediador nas suas discussões. Por sua vez, o professor não deve ser o único a avaliar aquilo que vai sendo produzido, porque deixar que os alunos partilhem e avaliem dentro do grupo os trabalhos e que os discutam entre si, fomenta a interacção social e a construção de saberes baseados em conceitos e teorias.

Aproveitamos para disponibilizar abaixo o nosso trabalho e convidamo-vos a deixar sugestões e comentários que possam melhorá-lo.

2010/12/13

Directrizes para a qualidade de cursos online

No âmbito da unidade curricular de CAEL do Mestrado de Pedagogia em Elearning da Universidade Aberta, participei, com os colegas Cecília Tomás, Hugo Domingos e Maria João Spilker, na análise, discussão e elaboração de uma síntese do artigo QUALITY GUIDELINES FOR ONLINE COURSES: THE DEVELOPMENT OF AN INSTRUMENT TO AUDIT ONLINE UNITS, de Anthony Herrington, Jan Herrington, Ron Oliver, Sue Stoney e Jackie Willis.

Para realizarmos este trabalho, começámos por traduzir o artigo (VER AQUI), depois criámos uma síntese escrita sobre o artigo (VER AQUI), e, finalmente, decidimos desenvolver a nossa leitura do artigo através de uma apresentação (análise resumida), elaborada com recurso à ferramenta digital online Prezi (trabalho disponível AQUI).

Este trabalho de grupo permitiu que trocássemos regularmente impressões sobre os novos conceitos abordados no artigo, esclarecer dúvidas directamente relacionadas com a problemática, e partilhar e aprofundar conhecimentos que fomos construindo juntos. Rapidamente percebemos que a disponibilidade não era a mesma entre nós, pelo que foi preciso organizarmo-nos e distribuir tarefas iniciais que correspondessem às capacidades próprias de cada um.

Depois, à medida que o trabalho se ia compondo, soubemos apoiar-nos mutuamente, quer para conhecer e dominar melhor as ferramentas online seleccionadas para elaborar a síntese quer para aperfeiçoarmos juntos o trabalho final. Os encontros síncronos (através de chat), a troca de mails e as notas que foram sendo escritas por todos, à medida que os vários textos iam sendo elaborados, foram momentos fundamentais para a evolução do trabalho e sucesso da interacção entre os elementos do grupo.

Foi interessante eu ter percebido que um trabalho desta natureza não só me ajudou a aprofundar conhecimentos, como também incentivou que , na sequência da pesquisa de informação, produzisse mais conhecimentos relacionados com a problemática em discussão. Graças à troca de impressões com os colegas, foi possível corrigir uma ou outra ideia mal formulada ou ajudar um colega a compreender melhor conceitos que eram desconhecidos.

Portanto, a estratégia de estudo adoptada para desenvolver esta actividade revelou-se eficaz e promoveu resultados de aprendizagem muito positivos.

O nosso grupo decidiu, ainda, fomentar uma discussão mais alargada, propondo novas questões para ajudar a compreender a importância que a elaboração de directrizes tem para o ensino online. Deixo-vos abaixo essas questões. Não hesitem em participar, escrevendo neste blogue os vossos comentários.

TESE:
Um dos maiores desafios que as Universidades enfrentam no processo de ensino-aprendizagem é proporcionar cursos online de qualidade.

QUESTÕES:
a) Como analisar e medir a qualidade de um curso em ambiente online?
b) De que modo os programas de ensino a distância ou em contexto online e a disponibilização de recursos institucionais podem desenvolver ou manter uma qualidade educacional que motive os alunos e prepare os professores para uma aprendizagem de sucesso?


2010/12/11

Avaliação da qualidade de cursos online: directrizes

A discussão entre os investigadores sobre a a avaliação dos cursos desenvolvidos no contexto online tem promovido a elaboração de modelos orientadores para a caracterização desta problemática e a indentificação dos aspectos mais relevantes que devem constar no percurso desse debate. Temos os seguintes casos:

a) "Considerations for Developing Evaluations of Online Courses", de Achtemeier et al. (2003).

b) "The ideal online course", de A. Carr-Chellman & P. Duchastel (2000).

c) "Quality Guidelines for online Courses:The Development of an Instrument to Audit Online Units", de Herrington et al. (2001).

d) "Defining, Assessing, and promoting E-learning Sucess: An information systems perspective", de C. Holsapple & A. Lee-Post (2006).

e) "E-learning Quality: The Concord Model for Learning from a Distance", de R. Tinker (2001).

Estes artigos sugerem modelos diferentes para abordar a questão da avaliação da qualidade dos cursos online. Mas estarão a apresentar metodologias diferentes para chegar às mesmas conclusões? E quais são essas conclusões?

Na minha opinião, os autores levam-nos a perceber que a discussão da qualidade (e eficiência) dos cursos online deve concentrar-se na sua concepção e disponibilização e, ainda, no modo como o professor e alunos interagem entre si (produção, comunicação e avaliação) e com os materiais/recursos, porque estes factores têm um papel importante em atrair e motivar os alunos para esta modalidade de ensino (e-learning). Se Alison defende que há factores que têm de ser considerados para fazer um curso online, será que contradiz Tinker por este focar a promoção da colaboração dos alunos online? Ou ainda, a lista de verificação baseada em quadros de referência utilizada na avaliação de materiais educativos (Herrington) não pode complementar os princípios fundamentais que Achtemeier pede que sejam respeitados no ensino online eficaz?

Pela leitura dos artigos, verificamos que a concepção de um curso em contexto de e-learning considera o modo como o aluno aprende. Nesse sentido, houve preocupação em definir como pode ser desenvolvida a comunicação entre todos os intervenientes e que instrumentos estão disponíveis para suportar e garantir a eficácia dessa comunicação. Além da comunicação, a reflexão recaiu também na colaboração entre os participantes do curso e qual é a importância em haver regularmente feedback sobre as actividades realizadas.

É sobre a colaboração que faço algumas considerações.

Gostava de concentrar-me, em particular, nos artigos "E-Learning Quality: The Concord Model for Learning from a Distance", de Robert Tinker, e "Quality Guidelines for online Courses: The Development of an Instrument to Audit Online Units", de Anthony Herrington et al., porque abordam bem esse aspecto, entre outros naturalmente.

Quanto ao Modelo Concord, a colaboração entre estudantes deve ser aproveitada para desenvolver discussões online entre eles, enquanto são realizadas as actividades do curso. Estas discussões são assíncronas e espera-se que sejam planeadas cuidadosamente pelo professor, por exemplo, na distribuição e sequencialização das actividades ao longo do tempo e na definição da composição dos grupos de trabalho. Tinker considera que deve haver limites quanto ao número de elementos nas equipas, sendo 20 a 25 o máximo para um grupo participar numa discussão geral, enquanto que 2 ou 3 elementos é o número adequado para equipas pequenas. Nessas discussões, o professor pode intervir para orientar os alunos e esclarecer questões ou dificuldades sentidas pelos alunos, sobretudo relacionadas com as teorias e conceitos, no desenrolar da discussão. Ora, esta interacção poderá alcançar resultados de aprendizagem mais satisfatórios se o ambiente for cativante e as actividades motivadoras e desafiantes, criando-se assim mais oportunidades de colaboração entre os alunos, como referem os autores do outro artigo (Herrington et al.).

Nestes artigos, os autores defendem ainda que uma discussão bem executada promove a confiança entre os alunos e na sua relação com o professor e no aproveitamento do próprio curso. Aliás, a confiança só é possível se o grupo de trabalho funcionar. Para isso ser conseguido, a organização dos horários é um instrumento fundamental no sucesso da colaboração, porque o objectivo do curso online é que todos possam partilhar experiências e produzir conhecimento juntos. Por sua vez, a concepção do curso online tem como função proporcionar e assegurar a flexibilidade de que precisam os alunos para participar nos fóruns de discussão, isto é, prever que as próprias actividades têm tempos específicos e que isso influencia no desenvolvimento das discussões dos alunos.

Certamente que há mais aspectos relacionados com a colaboração que podiam ser trazidos para uma discussão sobre a avaliação de cursos online, mas quis sobretudo sublinhar que foi uma opção acertada dos investigadores evidenciarem que o trabalho colaborativo é uma forma de aferir a qualidade do curso.

Adoptando uma perspectiva geral dos modelos acima referidos, percebo como, na fase da elaboração do curso online, são importantes os factores ligados à tecnologia. Como sabemos, o aspecto que salta mais à vista é que esse curso tem de estar disponível na WWW e que o seu sucesso está directamente relacionado com o aproveitamento que pode ser tirado desse ambiente virtual. É o caso das ferramentas digitais usadas para comunicar e realizar trabalhos colaborativos, são os vários espaços online criados para a disponibilização de conteúdos educativos (Carr-Chellman & Duchastel, 2000). Falar em e-learning é pensar na Internet.

Quando o desenvolvimento do curso integra em si mesmo as potencialidades oferecidas pela Internet, devemos considerar que há agora uma situação nova: os alunos já não estão confinados a um espaço específico nem estão condicionados por horários idênticos. O que faz aumentar muito o número de interessados em frequentar esses cursos, sobretudo numa época em que o acesso à Internet se democratizou. E criar cursos online atraiu, pela mesma razão, a atenção de muitas instituições de ensino e outras entidades que chamaram a si essa função (ex.: formação profissional, formação contínua, etc.) Portanto, a transição do ambiente tradicional para um ambiente virtual (novo, diferente...), exige cuidados e a reflexão de todos.

Segundo Carr-Chellman e Duchastel, as vantagens relacionadas com a criação de cursos online parecem ser muitas, mas temos de ser cautelosos, como correctamente alertam, quando transferimos comportamentos do ensino tradicional para esta modalidade, sob o risco de os cursos se revelarem ineficazes. Assim, é pertinente, cada vez mais, apostar na avaliação dos cursos online e incluir nessa atitude a preocupação sobre o modo como são utilizadas as novas tecnologias de comunicação. Ou seja, o facto de estarem disponíveis online, de os utilizadores estarem familiarizados com a sua funcionalidade e de servirem (também por isso) de suporte na elaboração de um curso online não significa que estão preparadas para serem pedagogicamente eficazes.

Posso concluir que há muitos aspectos que entram em jogo quando as ferramentas Web 2.0 são utilizadas em contexto educativo, tais como, entre muitos outros abordados nos artigos, a comunicação entre os intervenientes no processo de aprendizagem, a interacção dos alunos na realização das actividades, o uso dos recursos disponibilizados numa plataforma digital, etc.

Naturalmente que não podemos definir as garantias para a elaboração dum curso online “ideal”, mas é fundamental que os interessados nesta modalidade de ensino saibam que a qualidade dos cursos passa pela avaliação de muitos dos seus elementos. Os momentos comuns para essa avaliação estão já delineados. Lembro quais são: concepção, disponibilização e resultados. Enfim, é interessante observar como todos se interligam na concepção do curso online.

2010/12/05

Ferramentas Web 2.0 e o "E-learning"

A partir de um curso dado por George Siemens e Stephen Downes sobre a teoria do Conectivismo*, um grupo de estudantes da escola Wendy Drexler elaborou o vídeo abaixo, onde evidenciam a importância que as ferramentas digitais Web 2.0 disponibilizadas na Internet têm junto dos estudantes na sua relação com a aprendizagem.

O e-learning está a evoluir graças às novas tecnologias que a Internet vai disponibilizando às instituições de cursos online disseminadas por todo o planeta. Como é possível definir as fases de evolução do e-learning, já podemos pensar também em e-learning 2.0, porque "today, e-learning mainly takes the form of online courses", como afirma Downes no seu artigo "E-learning 2.0" (Outubro, 2005). Não só a discussão da qualidade dos cursos online deve ir no sentido de serem averiguadas as ferramentas digitais Web 2.0 pedagogicamete mais eficazes, como deve considerar também como pode ser feita a sua disponibilização. As instituições de ensino de cursos online têm um papel importante na organização das tecnologias aplicadas em contexto de e-learning.

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Notas:
* "Connectivism is the integration of principles explored by chaos, network, and complexity and self-organization theories. Learning is a process that occurs within nebulous environments of shifting core elements – not entirely under the control of the individual." (George Siemens, Dezembro de 2004)


Aqui está o vídeo dos estudantes:

Colaboração no séc. XXI

Sir Ken Robinson tem viajado pelo mundo para debater questões relacionadas com o desenvolvimento da criatividade e inovação e o seu impacto na educação e economia na Europa, Ásia e Estados Unidos. É o autor de “Out of Our Minds: aprender a ser criativo” (2001) e “The Element: Como Encontrar Sua Paixão Changes Everything” (2009).

Uma pergunta importante: Se a colaboração é um processo, como é que os professores podem aprender e ensinar esse conceito?

Robinson explica que nem sempre a previsão do professor/educador é suficiente para que o trabalho educativo seja bem feito.É preciso dar lugar aos outros intervenientes, como os alunos, de modo a que demonstrem como a criatividade pode contribuir no processo de aprendizagem.

Vejam este vídeo para saber a opinião de Sir Ken Robinson sobre a colaboração neste século.

2010/11/30

Prática do Elearning 2.0

No decorrer do I Encontro Internacional TIC e Educação - TIC Educa 2010, em Lisboa nos dias 19 e 20 de Novembro, o investigador José Mota, representante do LeAD da Universidade Aberta, apresentou um trabalho sobre o desenvolvimento de actividades educativas integradas numa unidade curricular de Mestrado, dando o título "O e-Learning 2.0 na prática de uma unidade curricular de 2.º ciclo".

Como em qualquer modalidade de ensino, os materiais e recursos educativos são importantes para a qualidade e sucesso do curso online. Estes intrumentos acabam por ter um papel para mobilizar os intervenientes (alunos e professores) nas actividades lectivas de todas as unidades curriculares, em harmonia com os processos comunicativos possíveis e a produção da informação e conhecimento. Este trabalho aborda esses aspectos numa perspectiva da evolução do e-Learning.

Abaixo está disponível o slideshare:

2010/11/29

Modelos de desenvolvimento e avaliação da qualidade de cursos online

Um dos maiores desafios que os educadores online enfrentam no processo de ensino-aprendizagem é proporcionar cursos online de qualidade. Mas como é que esta questão de eficiência pode ser discutida? De que modo os programas de ensino a distância ou em contexto online e a disponibilização de recursos institucionais podem desenvolver ou manter uma qualidade educacional que motive os alunos para uma aprendizagem de sucesso?

No sentido de explorar e compreender com alguma profundidade esta problemática, foi solicitado à turma de MPEL'04 a leitura e análise de vários artigos científicos. Faço parte do grupo a quem coube estudar o artigo "Quality Guidelines for online Courses:The Development of an Instrument to Audit Online Units", de A. Herrington et al. (2001).

Este artigo é um contributo na identificação de critérios para a medição da qualidade do ensino online em contexto universitário, visando proporcionar, sobretudo, uma orientação para os seus criadores e designers. O aluno está no centro do processo e realiza, sob um espírito colaborativo, tarefas autênticas (contexto de vida real) para a produção do conhecimento e criação do material educativo.

Os autores sugerem que a reflexão sobre a concepção de um ambiente virtual de aprendizagem se concentre em três áreas principais: Pedagogias, Recursos e Estratégias de disponibilização.

Quanto à pedagogia, enumeram algumas características: tarefas autênticas que sejam um reflexo da forma como o conhecimento adquirido é utilizado em contextos da vida real; este tipo de tarefas e o próprio ambiente de aprendizagem são cativantes, motivadoras e desafiadoras, formando um quadro de oportunidade para a colaboração entre os estudantes e para uma avaliação significativa sobre o próprio processo.

Num ensino online de qualidade, defendem que os recursos devem estar acessíveis a todos, o que exige organização para a facilidade de localização; ser precisos, isto é, actualizados e adequados ao que se estuda; proporcionar perspectivas que tenham, intencionalmente, em conta a inclusividade social, cultural e de género. Finalmente, que o uso dos media seja variado, intencional (de acordo com o objecto de estudo) e correcto.

Por fim, as estratégias de disponibilização dos recursos ou materiais online devem considerar as questões relativas ao interface e à utilização da tecnologia. Neste sentido, um interface confiável e robusto é fundamental para evitar erros e caminhar no sentido da precisão; ser objectivo, directivo e ter um plano de aprendizagem claro, estando clarificada tanto a informação da unidade curricular como as expectativas dos alunos. A acessibilidade dos materiais e das actividades é fundamental, bem como a comunicação entre professores e alunos, mediante um estilo corporativo adequado (de forma a assegurar uma marca de referência nas apresentações) e consumos de rede apropriados (evitando atrasos e demoras na acessibilidade).

Em breve, irei partilhar neste blogue qual o conhecimento que construí sobre estas temáticas, ao longo das várias actividades colaborativas da unidade curricular de CAEL, e que objectivos já atingi nesta aprendizagem. A metodologia de trabalho do nosso grupo tem sido regular e muito interactiva, com recurso a várias ferramentas digitais eficazes, tais como a plataforma Moodle (fórum de discussão), encontros síncronos (chat) e a ferramenta colaborativa Prezi (elaboração e apresentação de trabalhos online).

2010/11/25

Making e-Learning Meaningful

Será possível acreditar que o professor pode ajudar os alunos a darem um sentido à sua aprendizagem? Claro que sim, pois o professor sabe como pode facilitar esse processo. E como pode fazer isso num curso online?

Como resposta, sugiro que vejam o seguinte trabalho. Se os cursos apresentarem variedade, pode ser que o impacto junto dos alunos desperte neles o interesse pelos materiais propocionados pelo professor, participando assim na qualidade da aprendizagem que ajudam a construir.

Quality Assurance and e-Learning

No decorrer da Conferência da UNESCO, em Julho de 2003, o Prof. Peter Sloep, da Universidade Aberta da Holanda, reflectiu sobre a seguinte questão: "Does traditional e-learning still fit the knowledge society?" (Ver abaixo o slideshare da sua apresentação.) Os conceitos predominantes da sua abordagem para compreender esta questão foram "qualidade" e "desafios" (sobre o e-Learning).

No primeiro caso, preocupou-se em falar da relação dos estudantes e a instituição, focando a avaliação que aqueles fazem sobre o que lhes é disponibilizado, e o modo como as novas tecnologias intervêm no processo. Quanto aos desafios, o caminho tomado pelo autor foi identificar aspectos que justificam a necessidade da mudança, nomeadamente paradigmas, estratégias e instrumentos em benefício da aprendizagem.

Nesta reflexão, conhecemos ainda qual é o papel que o estudante tem em relação ao controlo da qualidade das práticas de e-Learning. Talvez seja esse "novo" estudante que, na minha opinião, levou o autor a interrogar-se sobre o desenvolvimento do e-Learning nos tempos actuais. Lembremo-nos que o estudante de hoje já não é um utilizador passivo da Internet (disponibilização de conteúdos) e sim alguém que interage com esse ambiente e até produz ou colabora na produção de conteúdos, inclusive, educativos. Nunca se compreendeu tão bem a noção de Rede como agora...

E a qualidade desse ambiente virtual interessa, claro, à Educação. Nesse sentido, gostava de destacar as seguintes conclusões do autor:

• “Quality control takes a different shape in either case.”
• "For instrumental e-learning: use existing as benchmark. Check if substitute is adequate, if addition is useful.”
• “For transformative e-learning: new benchmarks for success are needed.”


European Quality Observatory

É bom saber que vários países europeus estão preocupados, numa vertente institucional, em disponibilizar material e recursos relacionados com a qualidade do ensino online. É o caso do European Quality Observatory, um repositório online "implemented as a portal which will promote the use of appropriate quality management (QM), quality assurance (QA), and quality assessment (QS) concepts for E-Learning in different communities".

Sem dúvida que se trata de um contributo na formação de uma comunidade de conhecimento ("working community") e na construção colaborativa de documentação. Pode ser um factor para a aceitação da prática de qualidade no ensino online, porque se revela um método aberto que convida os pares para uma validação e feedback regulares.

O objectivo principal desta instituição é "to provide a central facility for developers, managers, administrators, decision makers, and end-users to find a suitable approach for their organizations’ needs". Ao mesmo tempo, são claras as etapas que devem ser seguidas para entender o sucesso e alcance deste projecto europeu, relativamente ao que se pode considerá-lo como fonte de informação e serviços de qualidade.

2010/11/14

Factores de qualidade de cursos online

Esta reflexão foi desenvolvida no âmbito de uma actividade da unidade curricular Concepção e Avaliação em Elearning, do Mestrado em Pedagogia do Elearning, na Universidade Aberta, e tem em conta, sobretudo, a análise de dois artigos científicos: "Approaches to E-learning quality Assessment" (Penna & Stara) e "Reflections on Teaching and Learning Online: Quality program design, delivery and support issues from a cross-global perspective" (Wisenberg & Stacey).

Ao identificar os factores principais que os autores relacionam com a qualidade dos cursos desenvolvidos em contexto de ensino online, percebo que a utilização do tempo - um dos vários aspectos existentes no complexo ambiente de aprendizagem - pelo professor e alunos condiciona o ensino-aprendizagem dos conteúdos do curso, motiva a formação de novas competências de aprendizagem e determina a selecção de estratégias de comunicação eficazes que respeitem os ritmos, interesses e características pessoais e culturais dos alunos.

Assim, passo a referir a minha interpretação sintética desses factores, começando pelo texto "Approaches to E-learning quality Assessment", de Penna & Stara:

Síntese: Dificuldade na avaliação da qualidade do E-learning

Motivo 1: Quadro de Referência para a Descrição de Abordagens de Qualidade (QRDAQ)

Este documento sugere um enquadramento de referência como um padrão de qualidade Europeu e disponibiliza um repositório baseado na Internet para a gestão da qualidade, garantia de qualidade e abordagens da avaliação da qualidade no campo do e-learning.

Mas, segundo os autores, trata-se de uma lista de sugestões e prescrições sem indicações para uma implementação em termos práticos. As abordagens soam como listas de recomendações genéricas, cuja aplicação concreta é deixada apenas à fantasia (e não à ciência) de alguns.

Motivo 2: Modelos diferentes uns dos outros no que diz respeito às hipóteses de base e aos contextos de aplicação.

O Modelo de Sucesso do E-learning (Holsapple e Lee-Post, 2006)

Etapa 1 - o objectivo é alcançar o sucesso da concepção do sistema: qualidade do sistema, qualidade da informação e qualidade de serviço.

Etapa 2 - sucesso do sistema de entrega, maximizando a utilização e as dimensões de satisfação do utilizador.

Etapa 3 - sistema com sucesso através da maximização da dimensão dos benefícios líquidos.

Factor fundamental de sucesso no e-learning é a disponibilidade online dos alunos. A selecção de alunos para cursos online é baseada na avaliação das respostas com referência a quatro medidas de preparação: preparação académica, competência técnica, estilo de vida adequado e com preferência para uma aprendizagem para o e-learning.

O modelo conceitual (Klein et al., 2006)

“Os resultados do curso são um resultado directo da motivação para aprender.”

A motivação é influenciada por características do aluno, características de instrução e barreiras que impedem ou possibilitam o seu progresso.

Conhecer o perfil dos alunos é a melhor maneira de criar projectos úteis, estilos e tons, mas, quando se ensina online, existem algumas preocupações de design, que representam outros potenciais benefícios da planificação.

Cinco dimensões que afectam a eficácia da formação online (Lim et al., 2007):

- a motivação e a auto-eficácia do formando
- o conteúdo do ensino
- o nível de comunicação entre formador e formando
- o ambiente organizacional
- a facilidade de uso dos recursos on-line do website.

Relativamente ao texto "Reflections on teaching and Learning Online: Quality program design, delivery and support issues from a cross-global perspective", de Wisenberg & Stacey (2005), este artigo aborda a qualidade da concepção dos programas, a sua implementação e o apoio ao ensino e à aprendizagem em diferentes contextos culturais.

Neste momento, gostava de sintetizar os dois primeiros tópicos.

A - Concepção de programas

1. A fase de pré-disponibilização do curso.

- necessidade de formular uma comunicação à prova de falhas e estratégias de resolução de problemas antes do começo do curso
- fase de planeamento de pré-disponibilização extensa é essencial para maximizar o sucesso de qualquer programa à distância
- equipa central de abordagem à elaboração do programa de distância, que preferencialmente inclua diferentes profissionais.

2. Natureza complexa de ensinar em contexto de ensino online e os papéis do professor.

- aprendizagem centralizada no aprendente
- um conhecimento centralizado
- uma avaliação centralizada
- centralização na comunidade
- desenvolvimento de competências técnicas
- progressão de tarefas medida ao longo das cinco fases progressivas (Salmon)

3. O efeito de diferentes meios de comunicação sobre a dinâmica da comunicação.

- modelo misto de ensino online / abordagem "mista" à disponibilização do programa: cursos presenciais (encontros face-a-face para facilitar o processo de construção de comunidade) e cursos online
- papel activo do professor na interacção com os alunos (na ausência de aulas presenciais): organizar tópicos de discussão facilmente acessíveis e sugerir a utilização de vários meios de comunicação
- desenvolvimento de discurso interactivo como incentivo para discussão de conteúdos (o discurso deve evoluir de forma produtiva e responsável)
- modelo de "comunidade de investigação" como incentivo à aprendizagem activa
- a criação de um ambiente de confiança e de apoio aos alunos depende da interacção social e do sentido de comunidade online.

4. O valor de uma comunicação assíncrona para reflexões e análises críticas aprofundadas.

- Gestão do tempo para fomentar participações reflexivas dos alunos
- O desenvolvimento do pensamento crítico dos alunos depende das suas intervenções online
- O meio assíncrono permite aos alunos desenvolver as respostas (escritas) de uma forma mais cuidada, formal e reflexiva.

5. A importância de capacitar os estudantes para assumirem a responsabilidade pela sua aprendizagem.

- as tecnologias de comunicação avançadas têm aumentando as oportunidades de interação (aprendizagem colaborativa) entre estudantes e corpo docente
- papel activo do aluno na construção do ambiente de aprendizagem online (primeiro passo da sua responsabilização)
- técnicas instrucionais experimentais para envolver os alunos no processo de aprendizagem através da ligação dos conceitos teóricos com a própria vida dos alunos
- grupos pequenos permitem que os alunos se envolva de forma mais eficaz no processo de aprendizagem.

B- Implementação do programa de cursos

1. Abordagem dirigida para o desenvolvimento/aprendizagem e experiencial para disponibilização do curso funciona melhor num contexto de ensino online.

- abordagem experiencial (Kolb, 1984) situada dentro de uma abordagem de ensino-aprendizagem (Pratt, 1998)
- o “papel de aprendizes” dos alunos é um apoio na interacção de todos na comunidade de aprendizagem online: interdependência e alunos reflexivos (Brookfield, 2006)

2. Criar deliberadamente uma "comunidade de aprendizagem" segura, assim como construir competências de comunicação online dos alunos.

- criar um ambiente online que fomente o diálogo interactivo através das tecnologias (CMC)
- apoio do professor para resolver dificuldades técnicas e ajudar a combater o isolamento social (novas competências interpessoais)

3. Organização dos alunos no ambiente online.

- reservar tempo para desenvolver capacidades de gestão do tempo e a sua flexibilidade na realização das actividades
- aprender a organizar-se no ambiente online e adaptar-se aos novos comportamentos (comunicação, interacção, produção, etc.)
- adequar a utilização do tempo na definição de estratégias de comunicação

4. Diversidade de alunos multiculturais.

- selecção cuidada das intervenções de ensino
- abordagem de ensino mais cuidadosa e mista, combinando métodos didácticos mais tradicionais com estratégias colaborativistas.

Deixo-vos este contributo e convido-vos a apresentarem comentários e sugestões que possam melhor esta reflexão.

2010/11/12

Concepção e Avaliação em Elearning

Teve início a unidade curricular Concepção e Avaliação em Elearning, do Mestrado em Pedagogia do Elearning, na Universidade Aberta, tendo como docente responsável a Professora Lúcia Amante. Os temas que serão desenvolvidos neste semestre relacionam-se com as perspectivas de qualidade do ensino online e procurar-se-á reflecter sobre questões e factores importantes na sua avaliação.

O ponto de partida é a análise e discussão sobre os artigos "Approaches to E-learning quality Assessment" (Penna & Stara) e "Reflections on Teaching and Learning Online: Quality program design, delivery and support issues from a cross-global perspective" (Wisenberg & Stacey). A estratégia para realizar esta actividade foi a tradução dos artigos pela turma e a participação de todos os alunos nos fóruns de discussão da disciplina disponíveis no Moodle.

A tradução dos textos exigiu de todos nós uma enorme coordenação das participações para construir um caminho comum. E o espírito de colaboração que predominou ajudou-nos a formar também uma interpretação comum do texto. Sendo muitos os elementos na elaboração deste trabalho, verificámos que havia perspectivas e capacidades próprias de cada um, pelo que não se pode esperar talvez uma tradução "profissional". Porém, parece-me que o resultado atingiu uma qualidade bastante satisfatória, respeitando o essencial do pensamento dos respectivos autores, e que nos permite avançar para a fase seguinte.

O trabalho em equipa foi muito positivo, porque serviu para eclarecer dúvidas relacionadas com os pensamentos ou conceitos principais abordados nos artigos, bem como para aperfeiçoar a sua tradução. Conseguimos identificar aquilo que era importante para nos apoiar na actividade que se segue.

2010/11/04

Fluxograma sobre etapas de investigação


No âmbito das actividades da unidade curricular MICO do Mestrado em Pedagogia do ELearning, da Universidade Aberta, foi pedido que se elaborasse, em trabalho de grupo, um fluxograma sobre as etapas de uma investigação científica.

Os estudantes utilizaram os fóruns de discussão disponíveis na plataforma digital da disciplina (Moodle) para trocar impressões, sugerir ideias e esclarecer dúvidas sobre este fluxograma, que foi criado através da ferramenta digital Gliffy.

Como inspiração e fonte de informação para o entendimento da composição e conteúdos relacionados com uma investigação científica, foi analisada a dissertação de mestrado de Ana Paula Alves, da Universidade do Minho, sob o título "E-Portefólio: um estudo de caso".

O trabalho colaborativo foi uma estratégia eficaz para realizar este trabalho, não só para analisar e entender os aspectos mais difíceis desenvolvidos na dissertação referida, como também para se perceber quais são as etapas mais importantes de uma investigação e como elas podem ser demonstradas na versão escrita.

No nosso fluxograma, as etapas que devem orientar o processo de uma investigação são apresentadas de forma sequencial, porque os vários momentos duma pesquisa não podem acontecer ao mesmo tempo. Por exemplo, os dados da investigação (que visam a confirmação da teoria) só podem ser recolhidos depois de ser identificada a problemática que se pretende estudar. Por sua vez, os resultados só são atingidos fruto, por exemplo, do confronto entre as hipóteses (que podem alterar ao longo da investigação) e os objectivos de pesquisa.

Um aspecto importante, entre outros, a ter em conta neste fluxograma - que não deve ser entendido como o fluxograma directamente relacionado com a dissertação acima referida - são as variáveis, que estão associadas à identificação de hipóteses. Situam-se na parte inicial dum processo de investigação (caracterizado, neste caso, sob o paradigma positivista) por considerarmos que um investigador pode preferir ser neutro (evitar a subjectividade mas não a interacção com o objecto) e não interferir na realidade observada, pretendendo sobretudo prever e explicar - não controlar - os fenómenos. Assim, será o paradigma positivista (metodologia de cariz quantitativo) que tomaria estes pressupostos numa investigação e que valorizaria uma metodologia empírica.

Disponibilizamos o nosso fluxograma (a versão online pode ser visualizada aqui) para vossa apreciação e estão convidados, desde já, a apresentar sugestões que possam melhorá-lo.

2010/10/16

Metodologia de Investigação em Contexto Online

Teve início a unidade curricular Metodologia de Investigação em Contexto Online, do Mestrado em Pedagogia do Elearning, na Universidade Aberta. O docente responsável é a Professora Alda Pereira e os temas que serão desenvolvidos neste semestre relacionam-se com a problemática específica da investigação em contextos online, tendo como ponto de partida o estudo da obra "e-Research, Methods, Strategies and Issues", de T. Anderson & H. Kanuka(USA: Pearson Education).

O estudante deve ter em atenção que as pesquisas de bibliografia, recursos e materiais de estudo que faz devem ser rigorosas e credíveis, do ponto de vista científico. Por isso, precisa de conhecer e reflectir sobre as metodologias de investigação e capacitar-se assim para a construção de um plano de pesquisa que o encaminhe no bom sentido. Trata-se de um desafio que revela ao estudante a importância em saber seleccionar as mais significativas contribuições, concepções e teorias que marcaram o pensamento científico. As actividades e trabalhos previstos nesta UC irão, sem dúvida, ajudar-me a adquirir as competências de investigador fundamentais para criar um perfil mais completo de educador em contexto online.

2010/07/14

A Internet e os estudantes

Na última actividade da unidade curricular de ESR, do mestrado de Pedagogia em Elearning da Universidade Aberta, redigi um ensaio sobre a utilização dos "browsers" e das bibliotecas digitais na pesquisa científica dos estudantes.

Convido-vos a deixarem os vossos comentários ou sugestões.

Podem ler a versão integral abaixo (alojada também no Scribd):

Utilização dos "browsers" e das bibliotecas digitais na pesquisa científica dos alunos

2010/06/20

Cyberbullying

Numa actividade da unidade curricular de MREL, do mestrado de Pedagogia em Elearning da Universidade Aberta, eu e a Telma Jesus criámos um recurso educativo aberto (REA) através da ferramenta do GoAnimate.

A temática está relacionada com a Segurança na Internet e os jovens, e concentrámos a nossa atenção no "cyberbullying".

Espero que este recurso desperte a atenção dos jovens alunos, professores e pais, a quem convido, desde já, a comentar e a propôr sugestões que possam melhorar ou completar a animação seguinte:

GoAnimate.com: Cyberbullying by Telma e Marco

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2010/06/04

Recensão crítica de vídeos de Michael Wesch

Numa actividade da UC de Educação e Sociedade em Rede do Mestrado em Pedagogia do Elearning da Universidade Aberta, foi solicitado que comentasse alguns vídeos de Michael Wesch (Professor de Antropologia Cultural na Universidade de Kansas, nos EUA - email: mwesch@ksu.edu), disponíveis neste site.

Escrevi o texto que se segue e aguardo as vossas sugestões e comentários:

O trabalho de investigação de Michael Wesch demonstra muito bem como o movimento em rede, proporcionado com o advento da Internet, está a mudar o ensino-aprendizagem dos nossos dias. O próprio Wesch é um agente pioneiro dessa mudança, enquanto educador, ao considerar ser mais importante ajudar os estudantes a colocar questões do que querer continuar o papel convencional do professor: aquele que não põe os estudantes à procura das perguntas...

Quando acontecerá nos estabelecimentos de ensino espalhados por todo o planeta aquilo que se observa na Universidade do Estado de Kansas (vídeo “Students Helping Students”)? O que terá motivado àqueles estudantes para terem vontade em ajudar os colegas? Este comportamento parece ser uma novidade para nós, mas não é tanto assim para os estudantes que frequentam aquela universidade. E o que é novo? Por exemplo, vemos um estudante gritar por ajuda e, rapidamente, aparece uma pequena multidão para ajudar uma condutora a estacionar o seu carro. Tão depressa se formou o grupo, como se desfez depois. E a condutora não mostrou nenhuma surpresa perante este “fenómeno”.

Naquela comunidade, esta atitude parece normal. Mas estes estudantes tê-la-ão apre(e)ndido da parte dos seus professores? Parece que nesta universidade a construção do conhecimento é, fundamentalmente, feita pela comunidade estudantil. A visão dos estudantes afinal está a mudar, questão essa que é tratada noutro vídeo (“A Vision of Students Today”). O que se mantém dos tempos idos nesta universidade são as salas de aula, onde estão dispostas filas de cadeiras viradas para um palco onde se coloca o professor como figura central (e única). Os pensamentos e preocupações dos alunos não são escritos no quadro e sim nas costas das cadeiras e na parede ao fundo da sala. Isso significa que não há diálogo entre os estudantes e o professor?

O que interessa a Wesch são, afinal, essas reflexões dos estudantes: “What are they learning seating here?”. Por isso, temos aqui um pioneiro que promove a mudança de um paradigma educativo. Este educador não pretende ser a autoridade que entra na sala para transmitir informação de qualidade e sim ser aquele que precisa de conhecer as preocupações e pensamentos dos seus alunos para preparar as aulas. Entende assim que a construção dos novos conhecimentos tem de ser feita com os alunos, por mais numerosa que seja a turma.

Este vídeo traz-nos, de forma transparente e pública, o feedback dos alunos. Uma aluna afirma que vai ler 8 livros, 2300 páginas online e 1281 perfis no Facebook este ano - e pensamos que importância terão esses livros e informação na sua aprendizagem universitária. Outra aluna esclarece que completou 49% das leituras definidas para si. Outra aluna ainda confessa que só 26% do que lê e estuda será relevante para a sua vida. Mas muitos outros decidem falar de situações pessoais que acontecem fora da sala de aula. Esperemos que Wesch não tenha grande dificuldade em planificar as aulas para estes estudantes, depois de conhecer estas reacções…

Porém, é isso que acaba por fazer na sua prática lectiva, sendo um educador com preocupações sociais para a educação, como se pode verificar no vídeo “The Machine is (Changing) Us: Youtube and the Plitics of Authenticity”. Uma das ideias que desenvolve relaciona-se com a informação criada em rede ("networked information environment") enquanto modalidade inovadora de construção dos conhecimentos. Na sua opinião, as novas tecnologias e os vários serviços online estão a permitir que as pessoas se juntem para construírem estes saberes de qualidade que podem rivalizar com os conteúdos elaborados pelos especialistas, a quem é reconhecida autoridade científica. O mundo em conjunto discute essa informação, participa em rede. É um bom exemplo para mostrar como a educação precisa de ter uma função social.

Wesch propõe, aliás, que essas novas tecnologias sejam trazidas para a sala de aula. Certamente que não está a falar em partilhar fotos ou enviar mensagens através do Facebook , MySpace ou Twitter. Essa ideia tem de desaparecer da mente dos professores que vêem apenas esses aspectos e não outras funcionalidades educativas das ferramentas e serviços Web2.0. Relembrando a teoria de Postman (“Media ecology”), entenda-se que “media are not just tools”, “media are not just means of communication”, porque “media mediate our conversations” e, por isso, os novos pensamentos mediados pelas novas tecnologias estão na raiz da mudança da nossa cultura. É incontornável a educação relacionar-se com esta cultura.

É importante perceber ainda que, sendo utilizadores das novas tecnologias, os estudantes procuram dar novos significados à informação que encontram e constroem no cibermundo. Portanto, este mundo virtual é também o seu espaço de aprendizagem. Segundo Wesch, os estabelecimentos de ensino têm não só de acolher esses novos significados, como também lhes dar a relevância que só a educação sabe fazer.

Por fim, reconhecer o papel central que os estudantes têm na formação dos novos saberes, enquanto agentes da sociedade em rede, será uma forma de integrar as consequências do impacto da Internet na educação. Só assim se pode recuperar a “antiga dimensão comunitária da aprendizagem”.

2010/05/27

MyMPEL 2010 - um contributo

Aqui está uma contribuição feita em grupo para a 1.ª Conferência do Mestrado em Pedagogia do Elearning.

Este evento foi uma oportunidade formidável para os estudantes deste mestrado partilharem as suas experiências e perspectivas sobre as teorias estudadas e trabalhos desenvolvidos no âmbito das várias unidades curriculares. Os vários paineis apresentados (ver aqui) por professores, estudantes e investigadores de outras instituições de ensino superior desempenharam muito bem o seu papel neste evento: fazer a apresentação do currículo do mestrado e, sobretudo, da opinião dos seus intervenientes.

Agora, dêem uma espreitadela no recurso que se segue:

2010/05/12

A questão da autenticidade e transparência na rede

No âmbito da actividade 4 da UC de Educação e Sociedade em Rede, do Mestrado de Pedagogia em Elearning da Universidade Aberta, e na sequência de um debate realizado no fórum de discussão online desta disciplina, pretendo fazer uma síntese sobre a questão da autenticidade e transparência na rede.

Foi interessante reflectir um pouco sobre a nossa identidade, para tentar perceber se, com o advento da Internet, passámos a ter mais de uma identidade ou o seu prolongamento.


Nem sempre queremos mostrar quem autenticamente somos, por isso pode ser fácil transpor para o ambiente virtual a “falsidade” do Eu. Por exemplo, os dados pessoais e profissionais estão omissos ou, quando visíveis, são alterados. Talvez isso seja feito para esconder, proteger ou salvaguardar a nossa intimidade. Há quem prefira também manter-se anónimo em fóruns de discussão online ou em ambientes virtuais (ex.: Second Life), onde se cria um avatar que pode não ser o representante fiel. Parece que a vontade aqui é impedir que o Outro nos veja a nós tal como somos... Portanto, não se consegue fundamentar que há transparência total no ciberespaço.


É curioso observar que, mesmo em ambiente virtual, o indivíduo continua a precisar de relacionar-se com pessoas, partilhar experiências e conhecimentos com os outros. A nova tendência é reunirem-se em grupos sociais online a fim de partilharem interesses comuns. Lembrando-nos de Castells, graças à Internet e às TIC, vivemos actualmente uma era da informação e do conhecimento. A sociedade caracteriza-se por uma nova forma de comunicação que valoriza a informação, alterando desse modo a estrutura vigente. A informação flui a velocidades e em quantidades antes inimagináveis.

CONCLUSÃO:


Talvez este novo ambiente tenha fomentado junto desses utilizadores da Internet uma vontade de criar uma nova identidade – adequar a sua personalidade a um mundo desconhecido mas muito exigente a vários níveis - para marcar um lugar e fazer-se, assim, reconhecer como diferente entre tantos outros. Será que a necessidade de criar identidades diferentes (digitais) ameaça a estabilidade da sociedade “tradicional”? A verdade é que as referências se alteraram para se sobreviver nesta nova era tecnológica.

Outra temática pertinente abordada foi a fraude intelectual. Talvez seja precipitado concluir que este tipo de fraude possa aumentar com o advento da Internet. Como afirma a colega Cecília, a fraude intelectual sempre existiu e, embora através da Internet seja fácil praticar a fraude intelectual, também esta tecnologia permite identificar rapidamente onde há essa mesma fraude.

O plágio mereceu uma atenção especial no debate, porque a propriedade intelectual parece nem sempre ser respeitada na Internet. Este comportamento deve ser alterado pois todos os conteúdos disponíveis online estão “licenciados”, isto é, estão protegidos pelos direitos de autor, mesmo que a licença não esteja visível.

CONCLUSÃO


Se calhar a Internet veio contrariar a prática, consciente ou não, do plágio. Sabendo os estudantes ou outros indivíduos, a título pessoal ou profissional - será que os jornalistas dão sempre crédito ao autor? –, que há um enorme risco de serem descobertos e, consequentemente, penalizados pelo professor ou avaliador, a fraude intelectual pode é estar a diminuir, graças à Internet…

Chegados a este ponto, podemos então perguntar-nos se a rede é segura e como é garantida ou não a qualidade da informação partilhada.

Sendo a Internet a grande Rede, à qual confluem outras redes mais pequenas, mas não menos complexas, percebemos que este conceito de rede mudou definitivamente a gestão da informação. A possibilidade de poder aceder a uma outra máquina aumenta as vantagens daquela em que nos encontramos. Mas essa conectividade traz riscos.

Embora a maior parte dos utilizadores não consiga, por si mesmos, garantir a segurança sobre as suas participações na Internet, muitos serviços online já oferecem, de forma satisfatória, essa possibilidade. No entanto, a preocupação pela segurança mantém-se. Como lembra a colega Lauriza, os ataques efectuados têm aumentado de tal maneira que “colocam em xeque as nossas crenças. Lançam por terra nossas elaborações sobre segurança.”

Aliás, desde o início que esta questão da segurança na Internet tem sido um foco de discussão.


CONCLUSÃO

Portanto, nenhum utilizador deve ignorar as formas como pode proteger-se contra os ataques que podem por em risco aquilo que constrói (um exemplo: fraude intelectual) e partilha nesse ambiente virtual. A única forma de combater esse mal é continuarmos a passar a mensagem que a segurança na Internet se faz tomando regularmente as devidas precauções (exemplo: tornar visíveis as licenças dos conteúdos disponibilizados no ciberespaço).

Quanto à credibilidade da informação que é partilhada na Internet, fez sentido relacionarmos esta questão com a fraude intelectual. Ora, nem sempre é possível saber que a informação que recolhemos foi exclusivamente criada pelo autor identificado.


Como sabemos, uma das formas de avaliar a qualidade da informação é saber quem a elaborou. Tendo isto em conta, uma das saídas é seleccionar os conteúdos disponíveis na Internet, através deste critério.

CONCLUSÃO


É difícil garantir que toda a informação que circula nesse mundo virtual tenha a mesma qualidade e, por isso, seja sempre credível. Talvez seja por isso que, cada vez mais, os profissionais se juntem em comunidades sociais para concentrar nessas redes a informação de que precisam e partilham. Os motores de pesquisa, como o Google, estão assim a perder terreno, porque os critérios que são utilizados para os resultados da pesquisa que apresentam deixaram de ser aceites por utilizadores mais "informados".

Por fim, haverá alguma entidade que controla esta rede tão complexa?

A Internet é um difusor por excelência de informação, no sentido de ter um elevado potencial – é tecnologicamente aberta - nessa disseminação junto de grupos de todas as gerações (“sociedade interactiva”), criando mesmo novos comportamentos, como é o caso da comunicação mediada por computador (CMC). Aliás, esta comunicação acaba por ser o medium para a interacção pessoal e a expressão de pensamentos e preocupações, tornando-se numa nova forma de organização em rede. “O modelo de comunicação electrónica”, afirma Castells, “de muitos-para-muitos, representado pela CMC, tem sido usado de diferentes formas e com diferentes propósitos, tantos quantos o alcance da variação social e contextual dos seus utilizadores” (Castells, pág. 476).

O colega António apresentou uma lista de sites de entidades que já controlam ou procuram exercer esse controlo sobre o acesso a alguns serviços da Internet ou proibir que o utilizador se conecte, como sanção a determinados comportamentos não aceites, por exemplo, por um governo.


Será que as novas formas de regulamentação dos governos pretendem assegurar o direito dos cidadãos terem acesso a uma informação confiável, a notícias autênticas, seguras e verificáveis? Talvez seja apenas mais uma forma de repressão... O que não significa, porém, que seja possível a uma só entidade dominar a expansão dos meios de comunicação de massas ou a grande quantidade de dados que circulam actualmente pela Internet.


Se isso um dia acontecer, espero que tenha como missão prioritária garantir os mínimos de qualidade da informação e não estabelecer limites (censura?) ao seu acesso. Lembremo-nos que o objectivo inicial foi criar um ciberespaço aberto e livre.

CONCLUSÃO


Na minha opinião, ninguém consegue controlar aquilo que está disponível na Internet. Falando da organização dos Estados Unidos, ICANN, o que esta entidade controla é a distribuição de endereços e nomes. A ICANN garante que cada computador ligado à rede seja identificado por um único número e um único nome.

No entanto, parece haver grande interesse dos países em controlar alguns aspectos da dinâmica desse mundo virtual. Não só foi criado o domínio de cada país - em Portugal é .pt -, como já censuram a utilização de certos conteúdos e serviços.


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REFERÊNCIAS

Castells, M. (2003) A Sociedade em Rede. A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura, Vol. 1, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian.

2010/05/05

Iª Conferência do Mestrado em Pedagogia do Elearning -myMPeL2010


Este encontro será realizado no Museu das Comunicações em Lisboa, em 14-05-2010, e é uma iniciativa da Coordenação do Mestrado de Pedagogia em Elearning no quadro do Departamento de Educação e Ensino a Distância [DEED] da Universidade Aberta.
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A respectiva inscrição e as informações sobre esta Conferência podem ser obtidas no seguinte website http://mpel.crowdvine.com/.
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Irei acompanhar online este evento, mas participarei da seguinte forma:

GoAnimate.com: Inquérito MyMPEL by marcofreitas

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2010/04/26

"Open Educational Resources: Unlocking Knowledge to the Global Community"

Este vídeo foi preparado pela Northern California Grantmakers
& The William and Flora Hewlett Foundation e mostra muito bem o que são Recursos Educativos Abertos (REA).

Sobre a revolução tecnológica e o ensino online

Numa actividade de grupo realizada no âmbito da u.c. Educação e Sociedade em Rede do mestrado em Pedagogia do E-Learning da www.univ-ab.pt, foi desenvolvido um debate que serviu de palco para a análise e o estudo das obras de Paul Virilio (A Inércia Polar) e J. Baudrillard (Simulacros e Simulação).

Esta estratégia foi útil e eficaz para a interpretação do pensamento dos referidos autores. Relativamente a Baudrillard, destacaria o conceito de “simulacro”, em que é estabelecido um confronto entre o virtual (mundo artificial criado pelas novas tecnologias da comunicação e os media) e o real. A expansão do virtual acontece em prejuízo do real, que se esvazia. Sabemos que a comunicação foi um elemento decisivo para o desenvolvimento da sociedade moderna (e, claro, da contemporânea), mas é interessante observar que a informação é criadora dessa comunicação, é produtora de sentido.

No entanto, Baudrillard vem dizer que a informação vem dissolver esse sentido, não havendo um aumento de inovação mas sim de entropia social total. O reflexo da sua crítica em relação à era actual (Internet) é perceber que o virtual, devido ao aperfeiçoamento tecnológico, potenciou a natureza artificial, simulacional (parece real mas não é), hiper-real (mais “real” do que o real) do processo comunicacional (“esvaziamento” da interactividade).

Virílio também questiona os fenómenos da realidade quotidiana, como uma transcendência da presença imediata. A percepção do “aqui e agora” alteraram-se e experimenta-se a vida de todos os dias (as relações e comunicação) em graus diferentes de aproximação e distância, espacial (que vai além da significação de território) e temporalmente. Graças às novas tecnologias de comunicação, a experiência da realidade é compartilhada, estamos em relação ao outro da mesma maneira que ele está em relação a nós. Partilhamos, juntos, de uma mesma experiência espaço-temporal, só que a perspectiva tradicional sobre estes conceitos mudou. Como afirma Castells, é “a transformação da nossa cultura material pelos mecanismos de um novo paradigma tecnológico que se organiza em torno da tecnologia da informação”. (Castells, 1999)

Neste novo paradigma, a informação passa a ser matéria-prima fundamental e as relações deixam de ser territorializadas para serem mais fragmentadas. Historicamente, os nossos comportamentos relacionavam-se com os processos de urbanização da cidade, necessitavam de um lugar fixo e de continuidade para o seu desempenho. Hoje, a informação, sendo uma matéria-prima muito mais flexível e expressando-se nas mais diversas materialidades, necessita muito pouco de um lugar preciso.

Transferindo esta nova prerrogativa para a lógica de redes, podemos identificar uma clara tendência à valorização do espaço das redes em detrimento do espaço territorial característico da sociedade urbanizada (ver o pensamento de Castells desenvolvido em A Sociedade em Rede. A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura).

Quanto à relação entre o indivíduo e o mundo envolvente (realidade), mediada pelas tecnologias da comunicação (ex.: Internet e email), Virilio apresenta o conceito de "inércia". Já não é importante perceber o que é o "hiper-real" (Baudrillard) e sim identificar os efeitos provocados pela técnica, a maneira como veio dominar o nosso dia-a-dia, os nossos comportamentos e relações nos países em que a comunicação ocorre tecnologicamente (interactividade).

Muitos de nós, interagimos num “cibermundo” (conceito de Virilio) em que o tempo real (o nosso quotidiano) deixou de estar na base da História e a omnipresença da informação (“the information bomb”) tem um ritmo maior (velocidade) proporcionado pelas auto-estradas virtuais (Internet) e pelo desenvolvimento das TIC. E parece que isso nos leva à “inércia”...

Portanto, o espaço das redes permite, com mais velocidade, o desenvolvimento das relações entre as pessoas, tribos e países (que utilizam as novas tecnologias de comunicação). Há uma nova realidade da cultura do digital.

2010/04/23

Recursos Educativos Abertos


A Internet tem proporcionado que, através do movimento Open Educational Resources (OER) ou Recursos Educativos Abertos (REA), sejam disponibilizados recursos em formato digital de interesse pedagógico e de investigação científica.

A estrutura e princípios deste movimento REA fomentam o cada vez mais necessário acesso aos conteúdos abertos que fomentem a auto-aprendizagem e o estudo em ambientes informais.

A UNESCO apresentou a seguinte definição em 2002: “Open educational resources (OER) are learning materials that are freely available for use, remixing and redistribution” e “technology-enabled, open provision of educational resources for consultation, use and adaptation by a community of users for non-commercial purposes”.

O professor do séc. XXI está a enfrentar novos desafios e problemas relacionados com as tecnologias de comunicação, que podem ser resolvidos mais rápido se estiver, por exemplo, inserido num comunidade guiada pelo espírito cooperativo. Talvez seja por isso que centenas de universidades e escolas em todo o mundo tenham adoptado o pensamento deste movimento e começaram a partilhar os seus conteúdos, a contribuir com os seus próprios REA, através da criação de comunidades regidas com esse objectivo comum: disponibilização de recursos e reflexão sobre esta temática.

Os REA incluem todo o tipo de recursos educativos, normalmente em formato digital como por exemplo, objectos de aprendizagem, material de leitura, simulações, experiências, demonstrações, assim como, guias de aprendizagem, estratégias de ensino, etc.

O acesso facilitado aos conteúdos e sobretudo a quem os produz reflecte a mudança do acesso ao conteúdo para o acesso a quem os produz, permitindo deste modo interacções, quase imediatas de feedback, “rating” e validação dos mesmos. Englobam-se nesta caracterização um formato de recursos online como: wikis, blogs, redes sociais, comunidades virtuais, o que facilita a pessoas com os mesmos interesses a partilharem ideias, colaborarem e inovarem na produção de OERs.

Segundo Johnstone (2005), os REA caracterizam-se em três grandes grupos:

a) Recursos de aprendizagem (courseware, módulos de aprendizagem, objectos de aprendizagem, ferramentas de avaliação, comunidades de aprendizagem online);

b) Recursos de suporte à aprendizagem (ferramentas e materiais de suporte que permitam aos professores criar, adaptar e usar os REA); e

c) Recursos que promovem a qualidade do ensino e das práticas educacionais.

Como a utilização dos recursos disponibilizados na Internet está a generalizar-se e está a aumentar a produção de recursos educativos, é necessário também conhecer as regras de utilização e os direitos de publicação dos recursos produzidos. Estes materiais de aprendizagem, para serem livres e abertos, têm de ser distribuídos mediante a licença Creative Commons.

Sugiro que visitem este website que acompanha esta temática: Associação Ensino Livre.


REFERÊNCIAS

“BCcampus OER site – Free Learning”. Disponível em
http://www.edtechpost.ca/wordpress/2008/10/27/bccampus-free-learning/ , consultado em Abril de 2010.

Downes, S. (2002). Design and reusability of learning objects in an academic context: A new economy of education? USDL Journal, 17(1). Disponível em
http://www.usdla.org/html/journal/JAN03_Issue/article01.html, acedido em Abril de 2010.


Downes, S. (2007). Models for sustainable open educational resources. Interdisciplinary Journal of Knowledge & Learning Object, 3, 29-44. Dsiponível em http://ijklo.org/Volume3/IJKLOv3p029-044Downes.pdf, acedido em Abril de 2010.


“E Viva Madrid, E Viva Espanha”. Disponível em
http://cibertecario02.blogspot.com/2008/06/e-viva-madrid-e-viva-espanha.html , consultado em Abril de 2010.

Johnstone, S. M. (2005). Open educational resources serve the world. Educause Review. Disponível em http://www.educause.edu/apps/eq/eqm05/eqm0533.asp, consultado em Abril de 2010.

“Scratch.mit.edu now at 400,000+ projects”. Disponível em
http://creativecommons.org/weblog/entry/14416 , consultado em Abril de 2010.

Tuomi, Ilkka (2006). Open Educational Resources: What they are and why do they matter. (Report prepared for the OECD). Disponível em: http://www.meaningprocessing.com/personalPages/tuomi/articles/OpenEducationalResources_OECDreport.pdf

Wiley, David ed. (2008). OER Handbook for Educators 1.0. Disponível em: http://www.wikieducator.org/OER_Handbook/educator_version_one

2010/04/18

Baudrillard - The Murder of the Real

Jean Baudrillard é considerado um dos principais teóricos da pós-modernidade e um dos autores que melhor diagnosticaram o mal-estar contemporâneo. Este filósofo e sociólogo Francês foi um dos fundadores da revista "Utopie", além de ter publicado mais de 50 livros ao longo de sua vida.
Estudou alemão na Sorbonne, tendo traduzido para o Francês obras de Karl Marx e Bertolt Brecht. Leccionou sociologia na Universidade de Nanterre e a sua tese "O sistema dos Objetos", foi publicada em 1968.

A obra era voltada para um estudo semiológico do consumo, assim como os seus dois livros seguintes, "A Sociedade de Consumo" (1970) e "Por uma Crítica da Política Económica do Signo" (1972). Outras obras que merecem destaque são: "À Sombra das Maiorias Silenciosas" (1978), "Simulacros e Simulações" (1981), "América" (1986), "A Troca Impossível" (1999) e "O Lúdico e o Policial" (2000).

Pensador polémico, Baudrillard desenvolveu uma série de teorias sobre os impactos da comunicação e dos media na sociedade e na cultura contemporâneas. A sua filosofia baseia-se no conceito de virtualidade do mundo aparente, refutando o pensamento científico tradicional. Criticava a sociedade de consumo e os meios de comunicação e considerava as massas como cúmplices dessa situação.

Estão disponíveis no Youtube excertos da entrevista sobre "The Murder of the Real", cuja primeira parte coloco já neste blogue.


Cybermonde, la politique du pire - Paul Virilio

Paul Virilio, arquitecto e urbanista, é um dos mais originais analistas do mundo técnico contemporâneo, desde que descobriu a associação que existe entre a produção, a velocidade e a guerra. Nascido em Paris em 1932, de pai italiano, refugiado comunista, e mãe inglesa, Virilio estudou durante anos a fotografia e o espaço, escrevendo esparçamente sobre as cidades e arquitectura contemporânea.

O seu livro "Cybermonde" é organizado em quatro partes principais. A primeira, intitulada “Da revolução dos transportes a revolução das transmissões”, Virilio analisa o curto período que vai da revolução industrial no século XIX à era da informática. Para ele, a questão fundamental é da relação entre velocidade e poder político, em que contesta a ideia de que as tecnologias do tempo real podem contribuir para o aperfeiçoamento da democracia.

Na segunda parte, “ A parte do mundo ou como recuperar o próprio corpo”, Virilio interroga-se sobre a cidade, os dispositivos que recriam o nosso mundo habitado e o nosso próprio corpo, exactamente no limite entre o espaço público e o privado.

A terceira parte, intitulada “Quaisquer boas razões para entrar na resistência”, Virilio debruça-se sobre o que chama de acidente geral, o milagre da inversão e a reversibilidade dos objectos.

A última parte, intitulada “Da guerra provável a paisagem reconquistada”, Virilio explora o campo da guerra em tempo real no espaço dos satélites. Através da pergunta, “o que houve com a guerra?”, coloca-nos a questão de que se o desastre real não está diante de nós, é tempo de reconquistar o planeta e de inventar uma nova paisagem.

A obra referida pode ser acedida através deste link. Boa leitura!

2010/04/12

Noção de cibercultura de Pierre Lévy

No âmbito da actividade 2 da unidade de crédito Educação e Sociedade em Rede, do Mestrado em Pedagogia do E-Learning da Universidade Aberta, pretendo comentar a noção de "cibercultura" que o filósofo Pierre Lévy (Tunísia, 1956) aborda no seu livro Cibercultura.

As perguntas colocadas pelo Prof. António Teixeira, docente da u.c. acima referida (vide página principal do curso na Moodle), focam os pontos de tensão existentes entre o contexto contemporâneo – “mutação contemporânea da relação com o saber” (Lévy, pág. 157) – e a nossa liberdade enquanto cidadãos. Que responsabilidade ainda temos hoje na construção do património cultural dos cinco continentes? Qual é o conhecimento emergente e a nova vivência humana na era da imersão interactiva?


Uma das preocupações do filósofo francês Pierre Lévy, revelada na sua obra Cibercultura, é o “dilúvio informativo” que move a cultura de massa, actualmente utilizadora frequente da Internet. A partir de agora, cada indivíduo ocupa uma posição singular e evolutiva numa sociedade cujos conhecimentos emergentes são abertos, contínuos e não lineares e a cibercultura, enquanto universal sem totalidade – “A cada minuto que passa, novas pessoas acedem à Internet, novos computadores são interconectados, novas informações são introduzidas na rede. Quanto mais o ciberespaço se amplia, mais este se torna “universal”, e menos o mundo informacional se torna totalizável”. (Lévy, pág. 111.) –, transforma as condições de vida em sociedade. Mas será que os indivíduos podem controlar ou seleccionar as informações recebidas, terão alguma acção sobre a emissão dessa informação?

Nesta obra, Lévy esclarece, desde logo, os termos "ciberespaço" e "cibercultura". "O ciberespaço (que também chamo de rede) é o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores. O termo especifica não apenas a infra-estrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo. Quanto ao neologismo “cibercultura”, especifica aqui o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço." (pág. 17).

É curioso verificar que o antigo “receptor” passa a produzir e a emitir a sua própria informação, de forma livre e planetária. As práticas comunicacionais da Internet mostram que as pessoas estão a produzir vídeos, fotos, música, escrevem em blogs, criam fóruns e comunidades, desenvolvem softwares e ferramentas da Web 2.0, trocam música, etc. Aliás, um dos fenómenos verificados e estudados por Castells (2007), quanto ao carácter da sociedade contemporânea, é a importância crescente que esta dá à informação e ao conhecimento (a sociedade do conhecimento enquanto novo paradigma tecnológico). Passámos da era industrial para a era informacional e esta mudança histórica deveu-se ao advento das novas tecnologias de comunicação e informação. Embora afirme que as redes não são uma nova forma de organização social, estas tornaram-se uma característica chave na morfologia digital, porque “são estruturas abertas, capazes de se expandir de forma ilimitada, integrando novos nós(*) desde que consigam comunicar dentro da rede, nomeadamente, desde que partilhem os mesmos códigos de comunicação (por exemplo, valores ou objectivos de desempenho).” (Castells, pág. 607). Porém, dever-se-á confundir este fenómeno social com excesso de informação?

Na cultura pós-massiva estão a ser construídos novos modelos de conhecimento e, no âmbito da cibercultura, é possível identificar novos actos quotidianos: produzir, colocar em circulação e disponibilizar livremente cada vez mais informação. Para dar exemplos concretos, podemos dizer que blogs e podcasts tornaram-se novas formas de emissão textual, imagética e sonora pelas quais cada utilizador faz o seu próprio veículo. Os blogs são hoje um fenómeno mundial de emissão livre de informação sobre diversos formatos (pessoais, jornalísticos, empresariais, académicos, comunitários...). Os podcasts, por sua vez, são formas livres de emissão sonora pelas quais cada utilizador pode criar o seu próprio programa e disseminá-lo pela rede.


A verdade é que a revolução da cibercultura implica novos sentidos da tecnologia – que ideias novas resultam deste objecto inventado para ser utilizado, também, como meio de comunicação? –, uma vez que esta se tornou no novo ambiente material para o Homem, tendo um impacto considerável na sua vida, com signos e imagens por meio dos quais ele atribui sentido ao mundo. Não podemos deixar de pensar que esta tecnologia é produto social e cultural e com a revolução da informática, voltamos ao velho sonho de um mundo da comunicação livre, sem entraves, democrático, global, porque, como afirma Lemos (2008), “no fim do século XX, com o surgimento dos media “pós-massivos” (eletrónico-digitais), a relação com o espaço passou por transformações a partir da liberação da emissão e da conexão generalizada por redes online”. O novo paradigma traduz o mundo em dados binários, para posterior processamento em máquinas informacionais, os computadores. A dominação agora é digital e, como afirma Lévy, “o ciberespaço suporta tecnologias intelectuais que amplificam, exteriorizam e modificam numerosas funções cognitivas humanas: memória (bancos de dados, hiperdocumentos, arquivos digitais de todos os tipos(, imaginação (simulações), percepção (sensores digitais, telepresença, realidades virtuais), raciocínios (inteligência artificial, modelização de fenómenos complexos.” (pág. 157).

Mas resta perguntar para onde essa revolução nos levará. Não basta emitir sem se conectar, compartilhar, por exemplo, através da Internet. A internet traz-nos a possibilidade de actuarmos em rede, onde cada um de nós é um “nó”. Não há centro, a acção de cada nó é como um microcosmos dentro do cosmos, que pode influenciar e reconfigurar toda a rede. É preciso emitir em rede, entrar em conexão com outros, produzir sinergias, trocar informação, fazê-la circular, distribuí-la. “A emergência do ciberespaço acompanha, traduz e favorece uma evolução geral da civilização. Uma técnica é produzida dentro de uma cultura e uma sociedade encontra-se condicionada [e não determinada] por suas técnicas." (Lévy, pág.25). São estas técnicas que abrem algumas possibilidades, algumas opções culturais e sociais (a técnica condiciona), sem as quais o pensamento contemporâneo seria diferente. Esse segundo princípio, a conexão em rede online, parece ser mesmo uma característica fundamental da cibercultura, enquanto forma de transmissão. Como diz Lévy, “a sua principal operação é a de conectar no espaço, de construir e de estender os rizomas do sentido”. (pág. 249). Desde o início, a Internet caracteriza-se como lugar de conexão e partilha. Foi assim que surgiram as primeiras listas de discussão, as trocas de email, os chats...

Gostava ainda de destacar três exemplos referidos no capítulo dedicado ao movimento social da cibercultura (p.123-132), em que Pierre Lévy recorda que a emergência do ciberespaço é fruto de um verdadeiro movimento social da juventude. São desenvolvidos três princípios que sustentam este movimento social da cibercultura: a interconexão (p. 127), as comunidades virtuais (p. 127-130) e a inteligência colectiva (p. 130-132).

A interconexão transfere para uma existência diferente o próprio ciberespaço: “Os veículos de informação não estariam mais no espaço mas (…) todo o espaço se tornaria um canal interactivo.” (pág. 127). Constitui-se, assim, um mundo físico para suportar a comunicação universal que rejeita o isolamento. Aquilo que possamos imaginar como máquinas de comunicação passarão, em breve, a estar interligadas na Internet e este novo ambiente – o ciberespaço obedece ao “imperativo categórigo da cibercultura” (pág. 127) – proporcionará um segundo tipo de conexão, neste caso, das ideias que podem, por sua vez, ser agrupadas em tribos ou em comunidades virtuais. “A interconexão constitui a humanidade em um contínuo sem fronteiras”, afirma Lévy, porque a “cibercultura aponta para uma civilização da telepresença generalizada.” (pág. 127).

Como as comunidades virtuais processam a cooperação (afinidade de interesses e conhecimentos) através da troca de informações que a consolidam enquanto grupo, independente de proximidades geográficas, elas apoiam-se partindo da interconexão.

As relações sociais que acontecem nessas comunidades não impedem que se criem emoções entre os participantes do ciberespaço, embora “a comunicação por meio de redes de computadores [não] substitua (…) os encontros físicos.” (pág. 128). Aliás, “afinidades, alianças intelectuais e até mesmo amizades podem desenvolver-se nos grupos de discussão [online].” (pág. 128).

Informação e sentimento estão presentes numa comunidade virtual em que as tomadas de posição permitem, por exemplo, as personalidades dos intervenientes. Este é um bom argumento para concluir que esta comunidade é bem real, sendo um colectivo que troca informações e constrói uma opinião pública, gerando um movimento de ideias e, portanto, de intervenção social – não há espaço para uma irresponsabilidade anónima, todos estão atentos ao que é transmitido pelo outro que está do lado de lá do ecrã e noutro ponto do planeta -, dentro mesmo do ciberespaço e na cibercultura. E este fenómeno de comunicação colectiva (processos abertos de cooperação, aprendizagem cooperativa) “é a expressão da aspiração de construção de um laço social, que não seria fundado nem sobre links territoriais, nem sobre relações institucionais e de poder, mas sobre a reunião em torno de centros de interesses comuns.” (pág. 130).

O terceiro princípio da cibercultura, base também do movimento social acima referido, é a inteligência colectiva. Pierre Lévy acredita que as redes de comunicação e as memórias digitais irão em breve suportar as representações e mensagens que circulam pelo planeta e defende a hipótese de que é possível, e até desejável, produzir dispositivos que encarnem ou materializem efectivamente a inteligência colectiva.

Este filósofo apresenta a inteligência colectiva como um novo tipo de pensamento sustentado por conexões sociais que são viáveis através da utilização das redes abertas da Internet. Aceita o pressuposto que “o melhor uso que podemos fazer do ciberespaço é colocar em sinergia os saberes, as imaginações, as energias espirituais daqueles que estão conectados a ele.” (pág. 131) Acredita que as sociedades tendem a organizar-se cada vez menos em padrões formais e a valorizarem cada vez mais a aprendizagem cooperativa e colectiva como nova forma de organização.

Trocar informações mais verticalizadas dentro de centros de interesse significa criar uma rede especializada, onde a circulação da informação (através da interconexão) acontece de forma mais rápida e centrada (por meio das comunidades virtuais), um colectivo inteligente que se apropia, mais facilmente, das alterações técnicas que reduzem “os efeitos de exclusão ou de destruição humana resultantes da aceleração do movimento técnico-social.” (pág. 29)

Fora da interconexão e de uma comunidade virtual, somos, cada um de nós, um elemento contribuinte do inconsciente colectivo – um movimento etéreo, invisível, intuitivo e não cerebral. No ciberespaço, o nosso colectivo é (mais) consciente, inteligente e mais visível e, enquanto suporte da inteligência colectiva, o ciberespaço é uma das condições principais do seu próprio desenvolvimento. Porém, este não é determinado automaticamente, trata-se apenas de um ambiente propício à criação dessa inteligência.

Pierre Lévy conclui que a emergência do ciberespaço, da cibercultura é despoletada pela abertura para a alteridade que movimenta as comunidades virtuais, a inteligência colectiva e a interconexão. Estes princípios, no global, são a essência e condição da cibercultura.



(*) “A rede é um conjunto de nós interligados. Um nó é o ponto no qual uma curva se intercepta. O nó a que nos referimos depende do tipo de redes em causa”. (Castells, pág. 606).


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REFERÊNCIAS

CASTELLS, Manuel (2007). "A sociedade em rede: A era da informação: Economia, sociedade e cultura" (3ª ed., Vol. 1). (A. Lemos, C. Lorga, & T. Soares, Trads.) Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

LEMOS, André (2007). "Ciberespaço e tecnologias móveis: processos de territorialização e desterritorialização na cibercultura". In: MÉDOLA, Ana Silvia; ARAÚJO, Denise; BRUNO, Fernanda (Org.). “Imagem, visibilidade e cultura midiática”. Porto Alegre: Sulina, p. 277-293. Disponível em www.andrelemos.info/artigos/territorio.pdf , acedido em Abril de 2010.

LEMOS, André (2008). "Mídia locativa e território informacional". SANTAELLA, Lucia;
ARANTES, Priscila (Org.). Estéticas tecnológicas: novos modos de sentir. São Paulo: EDUC. Disponível em www.andrelemos.info/artigos/midia_locativa.pdf, acedido em Abril de 2010.

LÉVY, Pierre (1994). "Inteligencia colectiva: por una antropologia del ciberespacio". Disponível em http://www.4shared.com/document/RqH5viQd/Levyinteligencia_colectiva.html?err=no-sess, acedido em Abril de 2010.

LÉVY, Pierre (1999). "Cibercultura", Editora 34, S. Paulo.

TRIVINHO, Eugênio (2003). "Cibercultura, sociossemiose e morte. Sobrevivência em tempos de terror dromocrático", GT Sociedade Tecnológica, COMPÓS. Disponível em http://www.comunica.unisinos.br/tics/textos/2003/GT12TB2.PDF, acedido em Abril de 2010.